Três talentos femininos em belos trabalhos de estréia

Veteranas no mundo da música, trêsgrandes criadoras estréiam em discos de muitas qualidades: acarioca Cristina Saraiva, que deixa por conta dos muitos eótimos parceiros a interpretação de quase todas as faixas, menosuma; a paulistana Juliana Amaral, em disco co-produzido pelopercussionista Robertinho Silva, e a paraibana Giovanna Farias,filha do genial e desaparecido Vital Farias, músico que brilhounos anos 70 e 80, cansou da cidade grande e voltou para a suaTaperoá, no sertão do Cariri, e dá canja no trabalho deapresentação da herdeira.Cristina Saraiva sagrou-se, este mês, vencedora da 20.ªFampop, ou Feira Avareense de Música Popular (evento maisconhecido como Festival de Avaré, no oeste do Estado) com acanção Indiviso (letra dela e música do também cariocaFelipe Radicetti) e é mais conhecida pelas parcerias com SimoneGuimarães, presentes nos três discos da compositora de SantaRosa do Viterbo.Do muito que fizeram juntas, seis canções estão noindependente Primeiro Olhar (selo Tiê, e-mail tie@iis.com.br telefone 0--21-9983-1265): Laranjeira, Hermanos eRelento, na voz de Simone Guimarães, Fábula do Riacho,na voz de Márcia Tauil, Desafios, interpretada por MaurícioMaestro e Sem Despertar, a única intepretada pela tímidaletrista Cristina.Há parcerias com Renato Motha (Fica só Pó), SérgioSantos (Partida), Jaime Além (Tarde Sertaneja), EduSantana (Segredo), Sérgio Farias (Primeiro Olhar) e KikoZamarian (Guarde Bem), um apanhado que revela a brilhante,sensível letrista revelada na segunda metade dos anos 90.A gravadora paulistana Lua Discos encampou o projeto deÁguas daqui, apresentação fonográfica da excelente JulianaAmaral, cantora e compositora que um mercado saudável saudariacomo grande revelação do novo século. Para dar uma idéia:Juliana convidou o grande Robertinho Silva para participar deuma faixa. Robertinho apaixonou-se por Águas daqui, fez odisco inteiro e dividiu a produção com o pianista Luiz FelipeGama.Navegando por praias da MPB de feitio clássico, JulianaAmaral concebeu sonoridade muito especial para os arranjos (quenão assina) - um tônus orgânico, acústico, delicado, palmas ecouros que podem receber o manto de um naipe de metais (no sambaEsfria, de Natan Marques, com participação do autor, àguitarra) ou o cintilar do afoxé de Robertinho Silva (na bossaRevela, de Moacyr Luz e Salgado Maranhão, com Moacyr aoviolão).Mostra-se pouco, a compositora, mas basta Nome doAmor para que se imagine o que ela é capaz de produzir. Alémdisso, Juliana introduz um novo valor, o compositor HaroldoOliveira, no elaborado Bolero das Estrelas, beleza pura.Por fim, mas não por último, o duplo Uyraplura, deGiovanna Farias, com algumas faixas gravadas ao vivo, outras emestúdio, em produção da Vital Discos - de Vital Farias,naturalmente. Alguns dos clássicos do pai ganham corpo novozeirão educado da paraibana - Caso Você Case, Cantilenada Lua Cheia, Veja, Margarida, lindas, todas, além da obramáxima Sete Cantigas para Voar, que Elba Ramalho gravoumuito bem há quase 20 anos. A estas, somam-se clássicosnortistas e nordestinos como o Tamba-Tajá, de ValdemarHenriques, para somar o total de 20 faixas. Vital comparece emquase todas, ao violão ou cantando, ele mesmo. Para comprar,mande e-mail para vitalfarias@ig.com.br ou ligue para (0--83)221-3415 ou (0--83) 9981-6152. Aproveite.

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