Repodução
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Três sofisticadas damas do jazz lançam CD

Jane Monheit, Madeleine Peyroux e Diana Krall ampliam os horizontes nos novos álbuns

Lauro Lisboa Garcia, de O Estado de S. Paulo,

07 de abril de 2009 | 16h55

Diana Krall, Jane Monheit e Madeleine Peyroux são de estilos diferentes, mas têm algo em comum, além de serem conhecidas por reinterpretar standards de jazz. As três também conquistaram parcela respeitável do público brasileiro e têm seus novos - e intimistas - CDs lançados aqui pela mesma gravadora Universal. As duas primeiras vão mais fundo nas relações com o Brasil e incluíram em seus novos álbuns, como fizeram anteriormente, canções de autores nacionais como Tom Jobim, Marcos Valle e Ivan Lins.

 

Veja também:

som Ouça "Este Seu Olhar", de Diana Krall

som Ouça trecho de "Bare Bones", de Madeleine Peyroux

som Ouça trecho de "A Primeira Vez", de Jane Monheit

 

Já faz uns 50 anos que o namoro da bossa nova com o jazz sempre dá certo. Não é surpresa nenhuma que essas sofisticadas damas do jazz mantenham esse affair. Quiet Nights, versão em inglês de Corcovado, é uma das três de Tom Jobim que Diana Krall escolheu. As outras são Este Seu Olhar e a convertida The Boy from Ipanema. Uma foto dessa praia, com o Leblon e o Morro Dois Irmãos ao fundo, ilustra o encarte. Ela ainda canta Marcos Valle e Paulo Sérgio Valle (So Nice, ou Samba de Verão) e tem o bamba Paulinho da Costa na percussão.

 

Em Quiet Nights, Diana esbanja a finesse de sempre, arranjos sóbrios, interpretação intimista, sempre muito agradável, repertório de standards - como Where or When (Lorenz Hart/Richard Rodgers) e Every Time We Say Goodbye (Cole Porter). Há também versões refinadas para temas pop como Walk on By (Burt Bacharach/Hal David) e How Can You Mend a Broken Heart, balada dos Bee Gees. No entanto, há os arranjos lindíssimos de Claus Ogerman (que, não por acaso, trabalhou com Jobim) e Diana, acariciando o piano em todas as faixas, solta a voz mais sensual do que nunca, assumidamente inspirada na divina Julie London.

 

Em The Lovers, the Dreamers and Me, Jane Monheit demonstra intenções similares. É tudo muito cool na interpretação e nos arranjos das canções de contemporâneos como Corinne Bailey Rae (Like a Star) e Fiona Apple (Slow Like Honey), e de clássicos como Cole Porter (Get Out of Town), Leonard Bernstein (Lucky to Be Me) e Paul Simon (I Do it for Your Love).

 

Jane - que se apresenta no Bourbon Street terça e quarta - mergulha nesse universo de "amantes e sonhadores" evitando repertório óbvio. Ela que já gravou Ivan Lins desta vez optou por uma versão de Acaso (No Tomorrow), com resultado irretocável. Romero Lubambo, guitarrista em todas as faixas, é quem fez o arranjo desta e de A Primeira Vez (Bide/Marçal), em que Jane exercita o português, com sotaque, naturalmente, mas sem se atrapalhar.

 

Habituada a cantar standards, Madeleine Peyroux muda de rumos no belo Bare Bones, mas sem perder as características básicas - como a delicadeza. Larry Klein continua na produção musical, mas desta vez a cantora de voz dolente mostra sua faceta autoral e assina as 11 faixas do CD, com parceiros.

 

Forçando um pouco a barra para buscar um approach com o Brasil, nota-se uma leve latinidade na faixa-título. Nas demais, Madeleine flerta com outras sonoridades, pendendo para o folk, ao violão, até quando transita pelo jazz/blues de To Love You All Over Again e Instead. Apaixonante. Enfim, as três divas ampliam os horizontes sem trair seus princípios.

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