Três damas do samba presenteiam as mães

D. Ivone Lara, Carmen Queiroz e Fabiana Cozza fazem parte de três gerações de sambistas que, juntas, se apresentarão somente amanhã e sábado no Sesc Pinheiros. Um presentão para as mamães. "A minha mãezinha, inclusive, vai estar lá", diz Carmen, no melhor estilo filha coruja. É um encontro inédito, intitulado As Damas do Samba, entre as três bambas que serão acompanhadas pelos músicos do Quinteto em Branco e Preto - Edmilson Capelupi no violão, Nailor Proveta no sax e clarinete, Toninho Carrasqueira na flauta e Gerson Martins e Jorge Neguinho na percussão. O show será dividido em três partes - cada uma terá espaço para apresentar o próprio repertório. Carmen vai se apresentar primeiro, cantando, entre outras, Pedro do Pedregulho, de Geraldo Pereira, e um pot-pourri de Adeus Batucada, de Sinval Silva, Olhos Verdes, de Vicente Paiva, e Morena de Angola, de Chico Buarque. Em seguida, entra Fabiana, que fez questão de incluir Canto de Rainha, de Arlindo Cruz e Sombrinha, canção em homenagem à D. Ivone, última dama a abrilhantar o palco com canções próprias como Candeeiro da Vovó e Mas Quem Disse Que Eu te Conheço. Para fechar o show, uma apoteose - quase - surpresa não deve faltar. "A D. Ivone deve chegar do Rio entre hoje e amanhã para ensaiarmos. Não sei ainda com qual música nós três iremos encerrar o show, pois temos de nos adaptar à tonalidade de voz de cada uma, principalmente à de D. Ivone. Mas arrisco em dizer que devemos cantar um dos sucessos dela, como Sonho Meu, Foram me Chamar ou Tié Tié", diz Carmen. Fabiana Cozza já se apresentou algumas vezes ao lado de D. Ivone (há duas semanas, fizeram um show especialíssimo no Sesc Ipiranga) e é a primeira vez que subirá ao palco com Carmen Queiroz. "Eu já a conheço há muito tempo, desde a época em que estudávamos juntas da Universidade Livre de Música, hoje Tom Jobim. Desde então, só cantamos informalmente", conta Fabiana. "Estou muito feliz por poder participar deste projeto. E para falar a verdade, tomei um susto quando soube que ele se chamava Damas do Samba. Esse título cabe a D. Ivone com todas as pompas. Sou um bebê perto de toda a história que ela construiu ao longo da vida", elogia a paulistana da Camisa Verde e Branco. Infelizmente, Damas do Samba terá apresentação apenas no fim de semana. "O produtor, Carmo Lima, já vem com a idéia de reunir nós três há um bom tempo e, como sempre, o Sesc nos acolheu para o início do trabalho", explica Fabiana. D. Ivone Lara, que lá pelos anos 40 compunha sambas que eram apresentados por seu primo Mestre Fuleiro por causa do preconceito com mulheres no samba, disse esperar que os shows lotem. "Quem sabe assim podemos prorrogar a temporada", diz, aos risos. A batalha, segundo Fabiana, fica sempre na questão do espaço. "Vai depender do interesse das casas em nos receber." E quem é que não quer? Damas do Samba. Teatro do Sesc Pinheiros (1.010 lug.). Rua Paes Leme, 195, 3095-9400. Sáb., 21 h; dom., às 18 h. R$ 10 a R$ 20.

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