Tragédia dá ao Great White fama que o showbiz negou

Eles passaram 20 anos tentando ficarfamosos, mas ironicamente vão entrar para a história como partede uma das maiores tragédias do pop. A banda americana GreatWhite, que desde os anos 80 tentava repetir os 15 minutos defama produzidos por apenas um hit, chega ao fim com a perda doguitarrista Ty Longley e a sombra da responsabilidade pela mortede quase cem pessoas no incêncio de um clube de Rhode Island.Para os músicos, os problemas estão apenas começando. Esta semana eles prestaram depoimentos contraditórios aos dos donos da casa norturna.Formado em Los Angeles em 1981 pelos amigos de escola MarkKendall e Jack Russell, a banda ganhou destaque por não apostarnos excessos visuais dos grupos da época e se dedicar a umasonoridade pesada. Lançaram cinco discos durante os anos 80por selos fonográficos pequenos e, entre troca de membros eturnês com outros grupos, não conseguiram fazer sucesso.A fama veio com o cover de Once Bitten, Twice Shy, um coverde Ian Hunter que chegou ao quinto lugar da parada daBillboard. O álbum Twice Shy chegou à nona posição,garantindo várias turnês em parceria com outras bandassemi-famosas da época, como Tesla. O álbum seguinte, Hooked,de 1991, já não encontrou muitos seguidores: o público haviadeixado o rock de laquê para trás em favor do grunge.Durante todos os anos 90, o Great White tentou recuperar os diasde glória, voltando aos circuitos dos selos independentes econseguindo publicidade esporádica. Em 1999, ensairam uma"volta", lançando o álbum Can´t Get There From Here (algocomo "Não se Pode Chegar Lá Saindo Daqui"), além de um outrodisco de covers do Led Zeppelin, uma das maiores influências dabanda. Nos últimos anos, eles assumiram a nova realidade epassaram a se apresentar em clubes do interior dos EstadosUnidos - com os efeitos pirotécnicos sendo a única lembrança dostempos de shows em ginásios.Com a morte do guitarrista, um possível processo pela frente e asombra de um dos piores acidentes dos últimos tempos, o GreatWhite, que vem sendo chamado pela imprensa americana apenas de"a banda do incêndio do clube", dificilmente vai conseguircontinuar sua carreira. Todos os shows e atividades para ospróximos meses foram cancelados e os advogados dos músicosdisseram à imprensa que eles vão colaborar em "tudo o que forpossível" na investigação.Na tarde de quarta-feira, eles voltaram ao estado de RhodeIsland para prestar depoimentos. O caso deve girar em torno daresponsabilidade sobre os fogos de artíficio usados no show. Abanda diz que tinha autorização verbal dos donos do clube, osirmãos Jeffrey e Michael Derderian, para usá-los, mas eles atéagora negaram a informação. Enquanto isso, espalha-se pelo paísa polêmica sobre o uso de material inflamável em apresentações:o jornal Village Voice, por exemplo, publicou uma reportagemsobre os efeitos da tragédia no trabalho de engolidores defogo.

Agencia Estado,

28 de fevereiro de 2003 | 14h04

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