Gabriela BIlo/Estadão
Gabriela BIlo/Estadão

Tomorrowland Brasil começa com várias mensagens de amor

Maior evento de música eletrônica do mundo leva 60 mil a Itu

Guilherme Sobota - ENVIADO ESPECIAL, O Estado de S. Paulo

01 Maio 2015 | 20h15


ITU - Quando Jim Morrison - o contraditório vocalista do Doors, um dos estandartes do rock psicodélico dos anos 1960 - previu, em uma entrevista em 1969, que a música eletrônica tomaria conta de tudo no futuro, talvez até as pessoas acreditassem nele, mas acreditavam menos que os 60 mil aficionados que compareceram nesta sexta-feira, 1°, ao primeiro dia do Tomorrowland Brasil.

Na gigantesca Fazenda Maeda, em Itu, milhares de brasileiros receberam com simpatia outros milhares de estrangeiros para ouvir especialmente as vertentes da EDM (eletronic dance music), estilo que domina as pistas de todo mundo nessa segunda década do século 21 - embora o festival tenha diversos palcos menores dedicados a outros estilos. Bandeiras de vários países da América Latina (Argentina, Chile e Venezuela, mas também Panamá, Costa Rica e México), da América do Norte e até da Austrália eram vistas entre farroupilhas e recifenses.

Até o final da tarde desta sexta, os principais DJs do dia ainda não haviam se apresentado: os holandeses Afrojack e Hardwell (o homem que quebrou o Twitter), o americano Steve Aoki (que lotou até o esgotamento a tenda eletrônica do último Lollapalooza) e os brasileiros Marky (lenda do Drum n bass internacional, experiente em Tomorrowlands europeus) e Alok (brasiliense que é a nova sensação da eletrônica no País e fora).

Estrangeiros. O empresário canadense Graham Westling, de 30 anos, veio com a namorada pela primeira vez ao Brasil para ter novamente a experiência do Tomorrowland - o casal já tinha ido à edição europeia. Gostaram tanto que compraram os ingressos para o Brasil. “É um pouco menor do que na Europa, mas estou adorando a ideia de estar aqui na primeira edição”, comentou Westing - a bandeira do Canadá era motivo de interação constante com os brasileiros e latino americanos. “As pessoas aqui são demais”, brincou o gringo.

Já o panamenho Antonio Talavera, de 51, veio sozinho ao Brasil depois de não conseguir ingressos na Bélgica. “Frequento os clubes e o The Day After, que é o nosso Tomorrowland, bem menor”, disse, aos sorrisos. Para a engenheira costa-riquenha Melissa Quesada, 27 anos, esse é primeiro grande festival se sua vida. “Gosto de música eletrônica, mas não há tantos lugares para ir”, comparou - Cataratas do Iguaçu e Rio de Janeiro ainda estão na sua rota no Brasil.

Uma parte dos visitantes do Festival - aproximadamente 20 mil, de acordo com a organização - ficará hospedada no camping montado na fazenda. São 300 barracas “gourmet”, parecidas com um pequeno chalé, outras 650 no camping intermediário, montado pela produção, e ainda um espaço de descanso e alimentação . É o DreamVille, local reservado em que o ingresso pode custar R$ 1 mil por pessoa. 

O Tomorrowland é povoado de lojas oficiais, vendendo de camisetas a bandeiras, e também as tendas com as finger foods e bebidas (uma cerveja sai por R$11). Filas se formaram em vários pontos à tarde, mas sem confusões aparentes. Tabacarias, restaurantes e até uma piscina distraem os passantes - que embora não marquem nenhum estilo definitivo, em grande parte ostentam músculos enormes e barrigas saradas. A sensação criada pelo festival é de uma imensa vila psicodélica.

Informações da ViaOeste, concessionária que administra a Rodovia Castelo Branco, diziam que o tráfego estava normalizado a partir das 19 h - mais cedo, o grande acesso de público registrou até 16 km de congestionamento.

DJ Marky quer diversidade na cena brasileira

Marco Antonio da Silva virou DJ Marky no início dos anos 1990 na periferia de SP e, ao longo dos últimos 25 anos, cresceu tanto que virou unanimidade internacional, com autoridade suficiente para dizer o que está certo e errado por essas bandas.

“Não há mais diversificação nos estilos”, comentou ontem, no Tomorrowland Brasil. “Antigamente, um mesmo clube tocava um estilo diferente a cada dia”, disse, comparando com a cena atual, em que o EDM (estilo mais comercial e bem sucedido da música eletrônica, que hoje domina o mainstream, com nomes como David Guetta e Hardwell) parece triunfar de vez.

“Hoje, no Brasil, se você está no mainstream, ok, mas se você é médio, já não existe mais”, explicou, lembrando que em outros países, especialmente europeus, o mesmo não ocorre. A explicação é cultural. “Precisamos valorizar o DJ nacional, que faz sucesso internacional.”

Com uma gravadora internacional (Innerground Records) e uma marca (DJ Marky & Friends), que deu nome ontem a um dos palcos do festival, ele observa que, em outros países, os fãs se movem mais pela música que pelo hype. 

Prestes a lançar um álbum (o primeiro em dez anos), ele disse que bota os sentimentos nas próprias composições - que podem variar da posição do seu time no campeonato à visão de seu filho jogando videogame. “Tem DJ que nem sabe tocar, chega com os sets prontos e ocupa a primeira posição de diversas listas”, alfinetou.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.