Tom Jobim ganha centro cultural

O acervo de Tom Jobim encontra, enfim, um porto seguro. Hoje, às 16h30, será inaugurado o Centro Tom Jobim de Cultura e Meio Ambiente. O projeto, acalentado há anos por seus herdeiros e amigos, está instalado em galpões dentro do Jardim Botânico, no Rio de Janeiro, do qual ele foi vizinho e freqüentador assíduo. Lá, pesquisadores, músicos ou fãs terão acesso ao acervo digitalizado do autor de Garota de Ipanema, com cerca de 30 mil documentos, entre partituras, manuscritos, cartas, fotos, bilhetes e anotações que o maestro fazia em cadernos esparsos. Esse material, que começou a ser organizado antes da morte de Tom, em dezembro de 1994, brevemente estará disponível também na internet. O site está pronto, mas seu lançamento depende de autorizações de parceiros e intérpretes de suas músicas. O acervo físico está guardado na casa em que Tom Jobim morou nas redondezas, mas a idéia é levá-lo para o centro, assim que ficarem prontos os quatro galpões cedidos à instituição. Hoje, os ministros da Cultura, Gilberto Gil, do Meio Ambiente, Marina Silva, e da Casa Civil, Dilma Roussef, vão inaugurar a sala de exposições, o auditório e a sala de pesquisa, com quatro computadores à disposição dos usuários. O teatro ainda demora um pouco para ficar pronto. No seu lugar, há uma tenda com 300 metros quadrados, equipamento de som e luz para shows. O primeiro, hoje mesmo, será com o Trio Jobim, formado por Paulo e Daniel Jobim, filho e neto de Tom; Paulo Braga, que foi seu baterista; e o baixista Kiko Villas. "É o um trio de quatro", brinca Paulo. Além do show, haverá mostra sobre o projeto do centro criado por Paulo, que também é arquiteto, e exibição em telões, do site oficial do centro, com fotos, vídeos e filmes de Tom Jobim ou de outros músicos interpretando sua obra. "A vantagem de ter o Paulinho Jobim à frente do conselho do centro é que ele, além de músico e arquiteto, entende de computador. É ótimo nas três coisas", elogia o presidente do centro, João Fortes. A proposta de levar o acervo de Jobim para local público e colocá-lo na internet vem de 2001, quando seus herdeiros fundaram o Instituto Tom Jobim. Naquela época, como agora, a família recebia inúmeras solicitações de partituras e outras informações do mundo inteiro e não dava conta de atendê-las. "As músicas começaram a ser organizadas e a ter as partituras recuperadas quando se lançou o Cancioneiro Jobim, no fim da década passada. Algumas não estavam completas e partimos da versão original ou cotejamos duas ou três gravações diferentes", disse ele na época. "As músicas mudam com o tempo e é preciso ter o registro do compositor." Fortes explica que a questão do meio ambiente associada ao centro é decorrência do pensamento e da obra do compositor. "Ele entendia que a cultura não se separava da preservação ambiental e é essa idéia que queremos disseminar." Ele conta que a digitalização do acervo e a instalação do centro custam R$ 400 mil, pagos pela Petrobrás, com recursos da Lei Rouanet. "Agora, viramos uma Oscip, que nos permite maior mobilidade com a iniciativa privada e o poder público."

Agencia Estado,

17 de abril de 2006 | 14h41

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