Tom Brasil se veste de botequim carioca

Na mesa de um botequim do Rio Noel Rosa compôs sambas antológicos com João de Barro. Em outros bares cariocas, Vinícius de Moraes conheceu Tom Jobim, Ary Barroso teve inspirações com Luiz Peixoto, Pixinguinha pensou em alguns de seus temas clássicos.A música brasileira não seria a mesma se não fossem os botecos. Fascinados pela aura dos clássicos pontos de encontro do Rio, cinco empresários paulistas prepararam um evento que, pela segunda vez, vai trazer a São Paulo o espírito da boemia que marca a criação dos sambistas cariocas.O evento Esquina Carioca, realizado pelos proprietários do Bar Pirajá, com direção musical do compositor Moacyr Luz, terá sua segunda edição na próxima quarta-feira, no Tom Brasil. Em 99, no mesmo local, o show foi visto por 1,2 mil e, no ano seguinte, foi lançado em CD. Na ocasião, o encontro reunia Luz, Beth Carvalho, Ivone Lara, Luiz Carlos da Vila, Nelson Sargento, Walter Alfaiate e João Nogueira.O novo Esquina é uma versão ampliada do espetáculo Dobrando a Esquina, que Luz apresentou mais de 50 vezes ao lado de Guinga, Zé Renato e Jards Macalé. Cada músico que esteve em Dobrando... convidou um compositor para a noite de quarta. Guinga chamou Paulo Moura, Macalé convocou Luiz Melodia, Luz trouxe Nei Lopes e Zé Renato indicou Elton Medeiros.Ampliação de fronteiras - Pela escalação, o novo show não será centrado só em sambas de raiz. Guinga e Paulo Moura, apesar de terem um dos pés no terreiro, são virtuoses do choro-jazz. Zé Renato sempre reverencia o seresteiro Sílvio Caldas. Macalé-Melodia, chamados no passado de malditos, traem a concepção harmônica do samba tradicional em suas canções. Eles afirmam fazer sambas ?mascarados?.?Decidimos não repetir apenas a fórmula dos sambistas mais tradicionais desta vez. Mas, é bom lembrar, não vai deixar de ser uma noite de muito samba?, promete Luz. No repertório, aparecerão de clássicos como Negro Gato (Melodia) e Vapor Barato (Macalé) a canções menos populares, como a inédita 27 de Setembro (Luz).Ricardo Garrido, um dos proprietário do Pirajá, afirma que pretende realizar o evento uma vez por ano. ?Não fizemos a segunda edïção no ano passado porque não conseguimos captar recursos. Mas vamos investir para que o show passe a ser anual e ocorra sempre com artistas e ritmos diferentes.?Aberto há três anos no n.º 64 da Av. Faria Lima (tel.: 3816-6413), o Pirajá tenta, nos moldes dos botequins cariocas, tornar-se um ponto de encontro entre compositores, jornalistas e escritores. Para Garrido, as diferenças de comportamento entre paulistas e cariocas não são barreiras para que a casa dê certo. ?Há uma grande carência desse tipo de bar em São Paulo?, conclui.Esquina Carioca - Quarta-feira, às 21 h. Tom Brasil (Rua das Olimpíadas, 66. Tel.: 3845-2326) Ingressos: R$ 20 e R$ 25

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