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'Todo Estado tem o seu mangue, sua lama, seu caos'

Zé Quaresma, cantor e vocalista da Validuaté, e seu parceiro, o cantor, violonista e letrista Thiago E., falam pela banda em dupla. É isso ou nada disso.

Jotabê Medeiros - O Estado de S.Paulo,

27 Abril 2011 | 06h00

O Validuaté é integrado por acadêmicos de Letras. Isso torna vocês mais preocupados com a lírica do que com a musicalidade?

(Zé Quaresma) Não diria que nos preocupemos mais com o texto do que com a música. Eu me debruço mais sobre a parte musical, cuido de melodias, harmonias, embora sempre tente expressar a mensagem de cada letra de modo condizente com a melodia e mesmo com a identidade do trabalho. O Thiago, por se dedicar mais à poesia, vem com os textos. Há momentos em que tudo se mistura, mas há os pequenos segredos no fazer poético e musical que circulam somente entre os operários da criação.

(Thiago E.) Quando componho, mesmo que pense num poema antes, preciso encontrar uma maneira musicalmente interessante. Graças aos deuses, temos vários músicos preocupados em manter esse trânsito com a poesia: Cid Campos, Adriana Calcanhotto, Arnaldo Antunes, Jorge Mautner, e tantos outros. Mas é comum vermos poemas que foram mal musicados: o que foi dito no poema não fica ‘natural’ quando cantado. Então, acertar nessa mosca é trabalhoso.

A mais recente revolução do Nordeste na MPB foi protagonizada pelo Mangue Beat. Há algum eco dele na sua música?

(Zé Quaresma) O eco do Mangue Beat reverbera Brasil adentro ainda hoje, embora a impressão mais superficial da música resultante do movimento Mangue Beat seja a justaposição do tradicional e do contemporâneo, da tecnologia e da lama do mangue. Outras bandas antes de nós receberam essas reverberações e puseram em prática o que sentiram. Nós já pegamos o pós-movimento, e fizemos nossa síntese. Todo Estado brasileiro tem o seu mangue, a sua lama e o seu caos.

(Thiago E.) A gente gosta muito do que foi feito pelo Chico Science e o que se desdobrou depois. Inclusive eu gosto muito mais do Nação Zumbi de hoje. Mas a gente não pensa em seguir movimento X ou Y. Simplesmente tentamos fazer, uma música que nos agrade. O que vai se perder no tempo, ou o que permanecerá, não é controlado por nós.

A música brasileira, em seus extremos, foi empunhada por artistas de ação cultural convulsiva: Sergio Sampaio, Raul, Melodia, Arnaldo Baptista. Isso fez até com que o Antonio Skármeta dissesse que a MPB abrigue a verdadeira literatura contemporânea. Vocês concordam?

(Thiago E.) Há casos e casos. Hoje, o acesso à produção e divulgação de um trabalho artístico, seja poético, musical, plástico, fotográfico, enfim, é diferente. Quem é artista e quem é público é algo cada vez mais

 

Zé Quaresma, vocalista; Thiago E., cantor, violonista e letrista

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