Titãs vão bem e fazem show em SP

Tudo ao mesmo tempo agora: Branco Mello está envolvido com a montagem de um documentário sobre os Titãs, Toni Bellotto e Sérgio Britto coordenam o projeto de songbook com repertório completo do grupo, Charles Gavin pensa em fazer um livro com compilação de capas de disco de MPB e Paulo Miklos estuda roteiros de filmes para dar continuidade à carreira de ator. Todos os integrantes do grupo paulista estão voltados para projetos pessoais atualmente e essa constatação poderia instigar algumas suposições. Ou a banda está em recesso ou prestes a anunciar sua aposentadoria. Ambas deduções são precipitadas: os Titãs continuam a todo vapor o trabalho de divulgação do disco Como Estão Vocês? (lançado em novembro de 2003) e, pelo menos aparentemente, o grupo está unido como nunca. Hoje e amanhã, a banda paulista apresenta pela primeira vez o show do último álbum em São Paulo e anuncia uma novidade: desde a saída do baixista Nando Reis (no fim de 2002) e da morte do guitarrista Marcelo Fromer (no começo de 2001), os cinco integrantes remanescentes terão um momento no palco sem a companhia de músicos convidados. Com isso, os vocalistas Branco Mello e Paulo Miklos assumem, respectivamente, o baixo e a segunda guitarra do grupo para executar quatro músicas: Será Que É Disso Que Eu Necessito?, A Verdadeira Mary Poppins, Polícia e Nem sempre Se Pode Ser Deus. No restante do show, o guitarrista Emerson Villani e o baixista Lee Marcucci completam o time titânico. Mais: com um repertório de 40 músicas bem ensaiado, os Titãs pretendem fazer algumas modificações no roteiro do show de hoje para o de amanhã. Os fãs mais devotos, portanto, terão motivos para assistir às duas apresentações. "A banda está tinindo. Estamos bem resolvidos musicalmente", gaba-se Branco Mello, sem falsa modéstia. "A idéia de fazer uma parte do show só com nós cinco no palco não tem nada a ver com afirmação. Isso dá uma dinâmica a mais para o show, além do revezamento de vocalistas. Escolhemos essas músicas e deu onda. E se dá barato para a gente, deve dar no público também. Rola uma emoção, um encontro com a nossa essência", divaga. Para o músico, assumir o baixo não é nenhum sacrifício, pois ele está familiarizado com instrumento desde os tempos de sua banda Kleyderman. Mas teve de estudar. "Tive de dar um gás, exigiu uma concentração. O Lee Marcucci é um amigão e só aprendi coisas legais vendo-o tocar neste um ano e meio de convivência. Mas não tenho pretensão de ser um grande baixista como ele, nem sei se tenho um estilo ainda", pondera. Marcucci (ex-Tutti-Frutti) foi convocado às pressas para substituir Nando Reis em 2002. "Ninguém estava preparado para a saída do Nando, assim como também não contamos com a eventual baixa de nenhum outro integrante. Ao contrário, a gente tenta realizar projetos-solo que não atrapalhem os Titãs. Alguns, inclusive, vêm para somar", diz. "Estou fazendo o filme enquanto o Brito e o Bellotto estão envolvidos com o songbook. A gente pode fazer nossas coisas sem comprometer a banda." Branco pretende finalizar o documentário no ano que vem. A direção é dele e de Oscar Rodrigues Alves. Já o songbook depende de parcerias. "Recebemos propostas não tão bacanas. Não queremos que custe um preço que o fã não possa comprar mas, ao mesmo tempo, é um produto sofisticado. A equação é complicada." A invasão nas mídias se completa com a participação da banda na novela Celebridade - que tem a mulher de Toni Bellotto, Malu Mader, como protagonista. A gravação ocorre na semana que vem.

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