Titãs ironizam showbiz em novo álbum

Disco novo, empresário novo e a busca por uma velha sonoridade. Os Titãs, no retorno sem Marcelo Fromer, lança esta semana o CD A Melhor Banda de Todos os Tempos da Última Semana. É o primeiro disco que eles lançam depois do término de um contrato de 17 anos com a gravadora Warner.As 16 músicas inéditas quebram a série de três discos de regravações. Em um salão de danças do Centro de São Paulo, o sexteto falou à reportagem sobre sua nova fase, cheia de ironias ao circo do showbiz, do qual também faz parte.Em "A Melhor Banda de Todos os Tempos" há críticas a tudo o que envolve o show biz. O que fez a banda eleger como inimiga uma indústria da qual se beneficia? Sérgio Britto - A Melhor Banda não critica só a indústria, mas tudo o que está a sua volta. É uma crítica aos artistas também. Estamos inseridos aí. Branco Mello - Não se trata desta crítica feroz e de mal com a indústria a que você se referiu. Em que alvo miraram? Por vários momentos a letra parece se dirigir aos críticos. Charles Gavin - Não é específico. A música fala desta fase atual em que tudo, não só a música, tende a ser superficial, feito para ser consumido. Nando Reis - Há vários focos. Mas há sim uma crítica a esta coisa de (as publicações) fazerem listas definitivas (de músicas) levianamente. Branco Mello - Não foi um scud endereçado aos críticos. Pode ser também, mas fala da indústria, da televisão. Sua leitura é mais radical. Mas há um incômodo claro de vocês com relação ao mercado. E quem faz isso é a mesma banda que lançou "As Dez Mais" (no ano passado, com uma série de canções comerciais). Britto - Você sabe o significado da palavra ironia? A gente está sendo irônico, fazendo auto-ironia. Não fica uma postura cômoda demais? Vocês tocam em uma ferida mas no final tudo não passa de ironia... Britto - Estas críticas são reais. Mas seria ingenuidade tratar disso em uma canção. Tratamos com sarcasmo. Há uma tentativa de resgatar o Titãs pré-fase acústica? Britto - Voltar só a banda já é um sinal claro disso. E há também o fato de ser um disco só autoral, como funcionávamos antes da série de acústicos. Mello - Só não esquece uma coisa: os últimos discos nossos, do Acústico pra cá, era a gente também. Escolhemos tocar com violino, com harpa. Depois resolvemos fazer As Dez Mais cantando Tim Maia, Legião Urbana. Isso é uma retomada sim, mas que não nega os últimos trabalhos. O disco vai ser vendido em bancas de jornal, coisa inventada por artistas independentes. Os grandes estão aprendendo com os pequenos? Britto - Sim. O Marcos Mainardi, presidente da Abril, que tem uma postura agressiva com relação ao mercado, optou por essa maneira. É uma forma de abaixar o preço, aumentar os lugares onde o disco estará disponível. Gavin - Em tempos de crise, os grandes têm mesmo de aprender com os pequenos. Estes selos pequenos têm muita liberdade de ação enquanto que, em uma multinacional, as decisões são demoradas. A indústria tem de repensar seu papel, sim. Qual é o Titãs sem Marcelo Fromer? Reis - O Emerson (Villani) tocará guitarra nos shows. Mas é difícil dizer a perda real. O Marcelo tinha um jeito de tocar guitarra que era só dele, e era uma enzima catalisadora. Miklos - Só agora está batendo a falta. Estávamos tão empenhados em gravar e dar seguimento ao projeto que não pensamos antes. Agora, que nos reencontramos para ensaiar, estamos caindo na real. A Melhor Banda de Todos os Tempos da Última Semana, Abril Music, preço sugerido: R$ 19,90.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.