Tim Festival traz o som do mundo ao País

São 34 atrações do primeiro time da música internacional, incluindo bandas de rock que lotam arenas em metrópoles como Nova York, Londres ou Paris, casos de Arcade Fire, Strokes e Kings of Leon. Cerca de 37 mil pessoas verão os shows em São Paulo (Anhembi e Sambódromo), e outras 35 mil assistirão aos espetáculos no Rio (Museu de Arte Moderna, de sexta a domingo). Trata-se do TIM Festival, atração bienal (um ano é realizada em São Paulo, o outro no Rio), mostra híbrida que junta rock, pop, música eletrônica, hip-hop, jazz, música indiana e até MPB (Dona Ivone Lara representa a música brasileira genuína na jornada). Apesar de este ser o ano do Rio, o TIM Festival viu nesta edição uma verdadeira migração de astros. São Paulo terá 50% dos shows programados inicialmente apenas para o Rio - quase todos seus astros darão o ar da graça por aqui, exceto Kings of Convenience, Morcheeba, Frankie Knuckles, Peretz, Vincent Gallo e Dizzee Rascal. Além de São Paulo e Rio, o festival espraiou-se este ano para outras duas capitais: Belo Horizonte e Porto Alegre. ConfiraMonique Gardenberg, da Dueto Produções, empresa que organiza a mostra musical (herdeira do antigo Free Jazz Festival, que ela também montou desde 1985), em entrevista ao Estado, disse que, apesar de dar a impressão de que o rock foi privilegiado nesta edição, não era a intenção. (Jotabê Medeiros)Kings of Leon abre comportas do bom rockVocalista do quarteto americano de ´rapazes do campo´ diz que no Brasil "todo mundo é seqüestrado" São três irmãos (Caleb, Natan e Jarred) e um primo (Matthew) da família Followill, com idades entre 18 e 26 anos, com um bocado de disposição para tocar rock-and-roll. Incensado no Reino Unido mais do que na terra natal, os agroboys do Kings of Leon já têm uma história bem conhecida para quem acompanha o noticiário musical. São filhos de pastores de uma igreja pentecostal, nasceram e moram em Nashville, no Tennessee, já foram (e não gostam de ser) comparados com bandas como Allman Brothers, Creedence Clearwater Revival, Lynyrd Skynyrd e até Strokes. Os Followill dizem que cresceram ouvindo música religiosa, mas não registram influências marcantes como ocorre com o gospel na música negra. Citam vários clássicos da country music, ícones do rock-and-roll como Chuck Berry e Johnny Cash e cantoras como Patsy Cline e Dolly Parton entre seus prediletos. (Lauro Lisboa Garcia)Television, os conhecidos "avós" de Strokes e PJ Harvey Eles são definidos como herdeiros de John Coltrane e Bob Dylan, irmãos mais novos de Velvet Underground e David Bowie e inspiradores de grupos como Gang of Four, PJ Harvey, Sonic Youth e The Strokes. Embora tenha gravado poucos discos (o mais audacioso deles é Marquee Moon, de 1977) e não seja muito conhecido do grande público, o Television é uma das bandas mais cultuadas por outras bandas. Agora é a vez de os brasileiros conferirem sua importância, dentro do TIM Festival. A banda vem com três integrantes da formação original - os guitarristas Tom Verlaine e Richard Lloyd, o baixista Richard Hell -, além do baterista Fred Smith, que substituiu Billy Fica. (Lauro Lisboa Garcia)Wilco segura a vibraçãoO show do Wilco tem tudo para ser um dos melhores do Tim Festival. Com ênfase no repertório de seu mais recente CD, A Ghost Is Born, o grupo mantém-se por uma hora e meia sem deixar a potência cair. Coeso e vibrante, embora um tanto melancólico, ancorado em ótimos arranjos e cheio de surpresas a cada música, o show abre-se para eventuais brechas para a alegria dançante. Humming Bird é o que o líder da banda, Jeff Tweedy (voz e guitarras) classifica de "única canção feliz" do grupo. Combinando três guitarras (elétricas e acústicas), dois teclados, baixo e bateria, o Wilco está na linha de frente das bandas surgidas desde a última década (eles já têm dez anos de carreira) que adotam sonoridades dos anos 60 e 70. (Lauro Lisboa Garcia)Arcade Fire promete show teatralSão oito músicos no palco e um som enérgico e difícil de definir. O grupo canadense Arcade Fire é meio rock, meio folk, meio eletrônico. Seu show é teatral, espetacular. Tem elementos de outras culturas: ora parece um show de cabaré, ora se transforma em música de pista. Na formação instrumental há guitarras, sintetizador, piano, acordeom, percussão, baixo, etc. O vocalista Win Butler às vezes lembra David Byrne ou Neil Young, várias letras das canções são relacionadas à morte. Seu álbum de estréia, Funeral (recém-lançado no Brasil pelo selo Slag), figura fácil na lista dos melhores do ano. Em suma, é uma das misturas mais interessantes surgidas nos últimos tempos no meio do pop-rock, que o público carioca vai ver sábado e os paulistas, domingo. "Não gostamos de rotular nossa música, diz o baixista Tim Kingsbury. "No Brasil esperamos nos divertir, antes de qualquer coisa. Estamos ansiosos." (Lauro Lisboa Garcia)Morcheeba se apresenta com nova vocalista Quando esteve no Brasil para promover seu terceiro álbum, Fragments os Freedom (2001), o Morcheeba ficou frustrado por ter vindo à capital paulista em vez de desembarcar no Rio, como estava previsto. Agora, em compensação, o grupo faz seu primeiro (e único) show no Brasil no Rio, no último dia do TIM Festival. "Nós apreciamos a música e a cultura brasileira. Espero que desta vez possamos aproveitar melhor, ir à praia olhar as garotas", planeja o guitarrista Ross Godfrey, um dos mentores da banda, ao lado do DJ Paul Godfrey, seu irmão. Com uma nova vocalista, Daisy Martey, no lugar de Skye Edwards, o trio lançou este ano o quinto CD, o fraco The Antidote, cujo título se refere ainda ao estresse da vida moderna. No novo álbum, além da cantora, o Morcheeba se reinventou sonoramente.(Lauro Lisboa GarciaDiplo toca o funk carioca com sotaque americano O funk carioca para exportação será representado no TIM não só pelos breaks da anglo-cingalesa M.I.A mas também pelo set de seu namorado, o Diplo, alcunha do DJ e produtor americano Wesley Pentz, um dos músicos mais criativos nas fusões da eletrônica com o hip-hop. Entusiasta do pancadão, Diplo produziu M.I.A em duas faixas do álbum Arular, entre elas o hit Bucky Done Gun, que tem samples de Injeção, da funkeira Deise Tigrona. Lançou nos EUA o mixtape Favela On Blast: Rio Baile Funk 04, sucesso nas festas e nos sets do coletivo de música Hollertronix, da Filadélfia, do qual ele é um dos fundadores. "O funk tem uma batida muito selvagem, com a única preocupação de fazer dançar", analisa, ao falar sobre sua apresentação sábado, no Rio. Ele já esteve no Brasil algumas vezes visitando os bailes ao lado de Marlboro, o DJ Marky do funk carioca, além de gravar imagens e músicas para um documentário que está produzindo sobre o gênero, para gringo ver.(Jade Augusto Gola)Arthur Baker traz sua alquimia musical ao Brasil Dizem que só há um produtor no mundo capaz de juntar coisas tão distintas como os grupos Ash, New Order, Primal Scream e o saxofonista de jazz Pharoah Sanders. Bom, esse disco existe, está em produção, e o nome do alquimista é Arthur Baker, hoje com 50 anos. É o responsável por aquela faixa que é considerada a primeira canção de hip-hop da música moderna: Planet Rock, gravada por Afrika Bambaataa em 1981 (a fusão definitiva entre black e white, entre Numbers, do Kraftwerk, e o R&B). (Jotabê Medeiros)O humanista e improvisado sax de Wayne Shorter O sax de Wayne Shorter já serviu a muitos gênios criativos: ele integrou os Jazz Messengers de Art Blakey, tocou com Horace Silver, Miles Davis, Maynard Ferguson e até astros do pop rock, como Joni Mitchell e Santana. Tem um disco com Milton Nascimento que é uma obra-prima: Native Dancer (1975). E ganhou 8 prêmios Grammy, como compositor (1987, 1997 e 2003), solista (1999) e performer (1979, 1994, 1996 e 2003). Em 1970, com Joe Zawinul, criou o Weather Report, sinônimo de jazz fusion, escola de rupturas. Em agosto, Wayne Shorter fez 72 anos. Para ele, ruptura continua sendo a palavra-chave. "Não busco apenas a música que seja insólita ou experimental. Busco os músicos e a música tocada com coragem, nobreza de propósito", afirmou o saxofonista por telefone, à Agência Estado. "Não acho que o jazz fusion seja relevante. O que é relevante é a assinatura, é ser criativo o que às vezes significa ir contra a vontade do sucesso comercial. O sucesso é uma das grandes ilusões. Muita gente faz qualquer coisa pensando em comprar casas nas Bahamas ou no Rio. Não digo que isso seja certo ou errado, evito essas palavras. Digo apenas que não é legal viver à procura de um lugar seguro. Isso não existe." (Jotabê Medeiros)

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