Gianfranco Briceño
Gianfranco Briceño

Thiago Pethit canta as dores, versos e poemas de Patti Smith

Cantor e compositor paulistano homenageia a norte-americana em duas apresentações no Sesc Pinheiros com a participação de Leandra Leal

Pedro Antunes , O Estado de S.Paulo

06 Maio 2017 | 04h00

Se pudesse voltar para qualquer lugar no espaço e no tempo, Thiago Pethit tem a resposta de pronto: viveria no Chelsea Hotel, famoso endereço de Nova York, que viveu sua decadência no fim da década de 1960. Ali, residiram Patti Smith e Robert Mapplethorpe, entre ratos, mendigos, viciados, artistas, poetas, baratas, por US$ 55 semanais. O casal dividiu o quarto de número 1.017, conhecido por ser o menor do gigantesco hotel, como descrito no livro Só Garotos, de 2010. Naquele labirinto de corredores imundos, localizado na West 23rd Street, entre a sétima e oitava avenida, Patti ainda não era uma artista da música. Era uma estranha, ainda em busca de uma identidade artística que lhe interessasse. 

Ela, provavelmente, jamais saberá, mas, ao lançar Só Garotos e descrever o sentimento de inadequação e de busca por um sentido artístico naquela virada de década, falou diretamente com Thiago Pethit. O cantor e compositor havia lançado seu primeiro disco, Berlim, Texas, naquele mesmo ano de 2010. Foi alçado a uma cena de músicos paulistanos à qual não achava que pertencia ou não dialogava esteticamente. “Tive uma depressão pós-turnê”, conta o músico. “Ler Só Garotos, em 2011, ajudou muito a me entender. Eu era o patinho feio.” 

Voltar o papo ao início da década é inevitável para Pethit, mesmo quando quer falar do presente. “Vivo aquele momento de entender a realidade artística de novo”, explica. Hoje e amanhã, no Sesc Pinheiros, ele faz um show em homenagem a Patti Smith com uma banda formada por mulheres e a atriz Leandra Leal, no palco do Teatro Paulo Autran. 

Leandra recitará trechos de livros da artista, como Só Garotos e Linha M, poemas do início da carreira e trechos da peça de teatro Cowboy Mouth. As integrantes da banda que acompanha o show também merecem destaque. Larissa Conforto, da poderosa banda de rock Ventre, assumirá a bateria; Mônica Agena, da Moxine e do próximo disco de Paulo Miklos, tocará guitarra; Rita Oliva, do instigante projeto Papisa, ocupará o posto de tecladista; e Stéphanie Fernandes será responsável pelo baixo. O repertório invariavelmente girará em torno de Horses, disco que lançou Patti Smith no mundo da música, realizando a ponte entre a poesia dela e o rock visionário de meados dos anos 1970. 

Pethit, esteticamente, bebe diretamente dessa Nova York frequentada por Patti e Mapplethorpe. Seu segundo disco, Estrela Decadente, nasceu do encontro dele com o livro de Patti – e as fotografias da época, em preto e branco, são uma referência ao estilo de Mapplethorpe fotografar. Para o terceiro trabalho, Rock ‘n’Roll Sugar Darling, Pethit se aproximou de Joe Dallesandro, ator fetiche de Andy Warhol, contemporâneo de Patti, Mapplethorpe e toda a turma da vanguarda da época. “De repente, isso passou a se tornar parte da minha vida real.” 

THIAGO PETHIT

Sesc Pinheiros. Teatro Paulo Autran. Rua Paes Leme, 195, 

tel. 3095-9400. Hoje (6), às 21h. Ingressos: R$ 12/ R$ 40. 

 

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