The Police balança o Maracanã 25 anos depois

Com um Maracanã semi-lotado decabelos grisalhos e uma legião de novos fãs, o The Police lavoua alma no seu primeiro show em 25 anos no Brasil. Somimpecável, visual impactante e uma lista de clássicos que todosqueriam ouvir fizeram a festa das quase 70 mil pessoas que,mesmo sob o risco de uma chuva que não caiu, festejaram com abanda a última parada deste ano na Reunion Tour, turnê globaliniciada em maio no Canadá. A escolha acertada da abertura feita pelo Paralamas doSucesso, filho da pegada rock-reggae do grupo inglês, esquentoua platéia e arrancou um coro maior do que se veria em seguidacom a banda principal. Com a barreira da língua, a inflamadaplatéia só arriscou soltar a voz em refrões de grandes sucessoscomo "De do do do de dada da" e "Roxanne". Falhas na infra-estrutura à parte --apenas poucos pontos nogramado vendiam bebidas, ocasionando filas gigantescas, e umadas portas de saída estava fechada ao final do show --os trêssenhores do rock uniram gerações por duas horas sem intervalos,mostrando um vigor de meninos desde a pontual abertura, às21h30, com "Message in a bottle", até o fechamento com "Next toyou", que levou a platéia ao delírio. "Minha mãe que gostava e colocava em casa, acabei curtindotambém", contou Mariana Teles, 20 anos, acompanhada de maiscinco meninas ensopadas de suor e sorrisos para o palco. "Nem se compara ao show de 1982, lá não tinha ninguém e osom era péssimo", disse Antonio Jorge Figueira, 56 anos, queviu o trio no Maracanãzinho, há 25 anos, quando o público nãochegou a 5 mil pessoas. A festa deste ano começou com o baterista Stewart Copeland,destaque da noite, tocando um enorme congo no palco cercado portelões e painéis eletrônicos. O chamado de Copeland trouxe oguitarrista Andy Summers ao palco, que por sua vez deu osprimeiros acordes de "Message in a bottle", puxando a estrelaSting para o palco. Perto de completar 60 anos, Sting mostrou que sua voz estáquase igual a de 25 anos atrás, não fosse um estilo maiscontido, principalmente nos agudos. As imagens de alta definição dos telões foram um show àparte, com detalhes como o estado envelhecido do baixo de Stinge a descoberta de um distintivo policial pregado nele, ou aindaas pulseiras de ouro enfileiradas no braço do cantor que a todahora se destacavam na grande tela. Depois de uma abertura impactante, o show seguiu morno commúsicas como "Synchronicity II", "Walking on the moon", "Voicesinside my head", e algumas palavras em português de Sting, fãconfesso do Brasil e de onde confessou, em bom português, tersaudades. Fora isso, uma sucessão de "muito obrigado" ao finalde cada música mostrava o carinho que o cantor tem pelo país. Músicas como "Hole in my life" e "Truth hits everybody"chegaram a esfriar a platéia, que ferveu novamente ao som de"Wrapped around your finger" emendada com "De do do do de da dada", obviamente o refrão mais cantado da noite. Mas o grupo engajado não poderia deixar de fora umamensagem política, a exemplo do que fez também o U2 na suaturnê. Uma sucessão de fotos de crianças vítimas da fome e daviolência tomaram conta das telas gigantes ao som de "InvisibleSun", acompanhadas de celulares ligados na platéia emsubstituição ao antigo isqueiro. Levantando o clima com Roxanne, teoricamente a últimamúsica da noite, a banda voltou para mais três sucessoscoroados com "Every breath you take". Inconformada, a platéia queria mais e o sessentão AndySummers não negou fogo. Fez sinais e chamou os parceiros avoltarem ao placo, quando atacaram de "Next to you", paradelírio do público, que saiu com toda a certeza de terassistido ao melhor show do ano e uma das melhoresapresentações internacionais que já passou pelo país.

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