The New York Times: Rock in Rio projetou Medina

Na semana passada, durante um dia de folga, depois da 3ª edição do Rock in Rio - festival que ele criou - , Roberto Medina estava em sua luxuosa casa no bairro da Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro. Um desenho de Salvador Dali pendurado na parede atrás dele, foi um presente do ex-vocalista do Queen, Freddy Mercury, que ficou bastante impressionado com a 1ª edição do festival, em 1985. À esquerda de Medina havia uma imensa sala de estar com uma clarabóia que pode ser aberta por controle remoto. Um zelador trabalhava na piscina do lado de fora, uma empregada preparava bebidas na cozinha e um aparelho de som espalhava suavemente uma música de Alanis Morissette pela casa. Como sua casa, Medina, um homem grisalho, vestido de forma organizada, projeta uma imagem de tranqüilidade e satisfação. A cena da residência do empresário foi a antítese do festival, sete dias de músicas que se estendiam diariamente até as 3 horas com uma multidão de fãs de vários gêneros de música de 150 mil a 250 mil por noite. Como um homem da área de propaganda, Medina naturalmente afunda-se em um marketing cheio de grandes números e grandes idéias. O caminho que ele enxerga não encerra-se, Rock in Rio 3, que terminou no último domingo, injetou de US$ 180 milhões a US$ 300 milhões na economia local, gerou para a imprensa mais de US$ 40 milhões na cobertura do evento (o jornal ?O Globo? dedicou cerca de 13 páginas de matérias por dia ao festival) e fez com que o patrocinador oficial, o provedor de Internet America Online (que pagou US$ 17 milhões pelo privilégio), elevasse o número de assinantes no país de 70 mil para 250 mil. Convencido que entretenimento pode ser a mais poderosa ferramenta de persuasão ou mudança que propaganda ou política, Medina planeja expandir sua franquia do festival ?socialmente consciente? para a América do Norte, para o resto da Amércia Latina e até para a África nos próximos anos. O tema do Rock in Rio foi ?Por Um Mundo Melhor?. Muitos que foram contratados para trabalhar no evento tiveram que escrever um pequeno texto sobre a visão que possuíam de um mundo melhor. Contudo, para a audiência ?Um Mundo Melhor? foi apenas mais um outro slogan, engolido pelo mar de logotipos de 15 patrocinadores espalhados por todo o local. Diferente do Tibetan Freedom Concerts, dos Beastie Boys, onde oradores promoviam palestras para o público entre outro atos; o Rock in Rio fez pequenas tentativas de esclarecer às pessoas que compraram os ingressos o objetivo do evento. A única excessão era uma tenda de palestras e grupos de discussão. ?Eu perguntei ao Roberto Medina se ele conhecia o mundo fora da sua casa?, disse José Júnior, líder da Banda Afro Reggae. ?Então, eu disse a ele sobre a violência e a pobreza das favelas?, declarou. O momento que coroou o festival foi o retorno ao país de Axl Rose, vocalista dos Guns?n Roses, que de forma hábil soube cantar emotivamente velhas e novas músicas em um show que foi, mais ou menos, produzido ao longo de sete anos. O outro que se destacou foi Neil Young - pela primeira vez no Brasil - que seguiu a performance padrão de Sheryl Crow. A audiência assistiu em relativo silêncio os primeiros minutos da performance de Young. A multidão não estava acostumada com suas improvisações elétricas. Não importa o tempo das músicas nos discos dele. Uma canção não acaba até que Young diga que terminou. Mas no fim de ?Hey Hey, My My?, o público começou a se animar com cada solo e som produzido junto às canções que nunca foram acompanhadas com palmas como no festival. A diversidade do evento incluiu desde ritmos regionais até várias gerações de rock, pop e astros teens. Satisfeito com os resultados, Medina afirma que manterá a 4ª edição do Rock in Rio no mesmo local, já conhecido como a Cidade do Rock.

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