REUTERS/Henry Nicholls
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The Killers lança disco para arenas em tempos de estádios vazios

'Imploding the Mirage', o sexto disco da banda, busca atualizar velhas fórmulas em músicas desenhados para festivais

Guilherme Sobota, O Estado de S. Paulo

22 de agosto de 2020 | 09h00

As músicas de Imploding the Mirage — o sexto álbum de estúdio do The Killers, mais do que nunca a banda de Brandon Flowers — são desenhadas para shows em estádios. O fato de lançar canções para esfriar a espinha de fãs em festivais, no meio da pandemia, pode ser uma metáfora para o que o rock de arena dos últimos anos está passando: uma repetição de fórmulas e sons cujo platô, pra usar uma das expressões pandêmicas, foi atingido há muito tempo.

Mesmo assim, não será nenhuma surpresa se o disco for bem nas paradas de streaming em todo o mundo, porque em 2020 o Killers tem uma base de fãs tão sólida a ponto de a crítica europeia nomeá-los como o Queen dessa geração. A comparação cabe exatamente no argumento deste texto. O Queen toca até hoje em todos os rádios, um filme bastante comum sobre a banda ganha quatro Oscars, todo mundo em todo canto sabe pelo menos um verso de Bohemian Rhapsody.

Para a geração que viveu a “retomada” do indie rock anglo-saxão no início dos anos 2000, os Killers sempre foram uma banda que gravitava no mesmo circuito, mas que nunca pôde ser exatamente a preferida. O teste do tempo parece ter caído bem a eles, porém, de maneira mais generosa do que a outros colegas, pelo menos no quesito comercial (uma ambição que Flowers nunca escondeu, sejamos justos).

Imploding the Mirage, entretanto, tem um título enganoso. O disco não aparenta representar nenhum tipo de implosão para o Killers, embora, como citado, Brandon Flowers esteja mais no controle do que nunca. Com motivos não tão claros, mas nem por isso suspeitos, dois colegas de banda (Mark Stoermer e Dave Keuning) já não participam mais do processo, o que também abre espaço para outros talentos, como Lindsey Buckingham, do Fleetwood Mac, k.d. lang, da jovem cantora e compositora americana Weyes Blood e de Adam Granduciel, o nome do The War on Drugs — uma banda de indie rock com explorações estéticas muito mais interessantes nos últimos 10 anos, mas esse é outro assunto.

As músicas do Killers seguem uma estrutura desenhada em Somebody Told Me, do disco de estreia, Hot Fuss (2004): depois de começar pequena, vai sempre crescendo, sempre avançando, acumulando sons e camadas. Se antes a guitarra conseguia um protagonismo, os sintetizadores certamente tinham uma marca. Agora é o contrário, o disco parece inteiro sintetizado. Na voz, o mesmo “echo”, que de certa forma antecipa a própria performance ao vivo na frente de milhares de pessoas. Confira, essa estrutura está no novo disco em faixas como My Own Soul’s Warning, Caution, My God (no dueto interessante com Weyes Blood), When the Dreams Run Dry e na faixa título.

Outras canções misturam, de maneira interessante, um dance pop com uma claríssima inspiração em Bruce Springsteen, como Fire In Bone e Running Towards a Place. Blowback explora ainda mais as texturas eletrônicas. 

É muito possível que em 10 ou 20 anos, alguém faça um filme meia-boca sobre o Killers e ganhe meia dúzia de estatuetas, isso é se essas coisas ainda existirem no futuro. Por enquanto, e apesar de tudo isso, Imploding the Mirage soma, com consistência, à discografia irregular da banda.

Ouça algumas das novas canções do The Killers:

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