The Doors escala vocalista do The Cult e volta à ativa

Em uma das misturas mais improváveis dahistória do rock, os membros remanescentes do The Doorsconfirmam que a banda vai voltar à ativa trazendo oex-vocalista do The Cult, Ian Astbury, no lugar de Jim Morrison.Completando a formação vai estar o ex-baterista do Police,Stewart Copeland. Eles planejam fazer shows em pequenos clubesdos Estados Unidos em 2003 e voltar ao estúdio para gravar oprimeiro álbum da banda em 25 anos. Resta saber se a notícia vaideixar os fãs felizes ou enfurecidos.Formado originalmente em 1965 em Los Angeles por Morrison, RayManzareck, Robby Krieger e John Densmore, o The Doors é a maisinfluente banda americana do fim dos anos 60. A mistura deletras poéticas, teclados psicodélicos e guitarras influenciadaspelo blues se destacou do resto da sonoridade produzida naCalifórnia na época, transformando músicas como Light MyFire e L.A. Woman em clássicos instantâneos.Além da importância da sonoridade do grupo, Morrison tambémconseguiu rapidamente se transformar em um misterioso ídolocapaz de despertar a sexualidade de garotas de todas as idades ecriar uma empatia quase religiosa com os homens. Com o sucessode discos como Waiting For the Sun, de 1968, e SoftParade, de 1969, ele passou também a explorar outras áreas,como a direção de filmes.Com a morte de Morrison (de parada cardíaca causada por umaoverdose de heroína) em 1971, a banda perdeu o rumo. Depois decogitar a substituição do cantor por nomes como Iggy Pop, eleslançaram L.A. Woman e Weird Scenes Inside the Gold Minee, em 1973, seguiram caminhos separados - sem nunca atingir osucesso do The Doors. Em 1978, o disco An American Prayer -Jim Morrison, em que o cantor recitava poesias, ajudou areacender a chama.A maior ironia é que a melhor fase da banda começou nos anos 80e durou até a metade dos 90. Impulsionado pelo lançamento dabiografia Alive She Cried, em 1983, e pelo advento da MTV,vários discos do The Doors foram relançados e a banda foidescoberta por uma nova geração. Em 1991, o filme The Doors,de Oliver Stone, ajudou a impulsionar ainda mais a venda dediscos.Manzarek, que está com 66 anos, e Robby Krieger, de 57, haviamse apresentado ao lado de Ian Astbury e Steward Copeland em umaconvenção de motocicletas em Los Angeles, em setembro. "Há 30anos fizemos nossa última apresentação, acho que é temposuficiente de espera", disse Krieger em uma entrevista coletivarealizada ontem. De acordo com Manzarek, ainda não há materialnovo gravado, nem gravadora interessada. A sonoridade éligeiramente diferente da original, mas "tem muito do TheDoors".A escolha de Astbury para os vocais deve fazer sentido para amaioria dos fãs. O cantor formou o The Cult em Londres, em 1983,para acolher tanto o público de bandas "místicas" como LedZeppelin e The Doors quanto os fãs do rock pesado do AC/DC - eainda os góticos. Embora o grupo tenha tido fases alternadas desucesso e esquecimento, nunca chegou a perder a credibilidade, oque pode ajudar na tentativa de volta do The Doors em 2002.Copeland mudou-se para Londres em1975 e formou o grupo de rock progressivo Curved Air - até queconheceu Sting e formou o Police um ano depois. A banda deve seapresentar junta pela primeira vez em duas décadas na cerimôniade inclusão no Rock and Roll Hall of Fame. Depois do Police, elese dedicou a produzir e compor trilhas sonoras de filmes eóperas. Ele entra no lugar do baterista John Densmore, de 58anos, que não pode mais tocar bateria por conta de problemas desaúde.Apesar do pedigree dos novos integrantes, tentar ressuscitar umabanda tão cultuada quanto o The Doors pode acabar tirando obrilho do legado de Jim Morrison. No melhor estilo Elvis Presley, até hoje há uma corrente de fãs que acredita que ele não morreu, enquanto milhares visitam o túmulo dele em Paris todos osanos. Se o The Doors não conseguiu manter a química logo depoisda morte do cantor, dificilmente deve recuperá-la tanto tempodepois.Por outro lado, os músicos mantiveram uma boa integridade aolongo dos anos e não canibalizaram a obra da banda em projetosexcessivamente comerciais. De qualquer maneira, a indústria deveficar atenta para analisar se a performance da banda vai ficarmais para o saudosismo tipo atração de Las Vegas ou se vairepresentar uma das maiores surpresas da história do rock.

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