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The Decemberists lança disco e crava rótulo de rock indie refinado

'What A Terrible World, What A Beautiful World' é o 7º álbum da banda

Nate Chinen - The New York Times, O Estado de S. Paulo

22 Janeiro 2015 | 13h34

O grandiloquente bardo Colin Meloy, coração dos Decemberists, entra com tudo na ironia ao começar What A Terrible World, What A Beautiful World, o novo álbum do grupo. Por meio de um aviso de utilidade pública intitulado The Singer Addresses His Audience - "Tivemos que mudar um pouco, sabe, para pertencermos a vocês", canta ele, informando aos fiéis - o disco começa consciente das expectativas da crítica, superando uma delas logo de cara. Este é o sétimo álbum dos Decemberists, grupo de indie/folk tão ligado às poderosas forças criativas de Portland, Oregon, que a cidade declarou oficialmente um "Dia dos Decemberists" para receber o lançamento do novo disco.

O álbum anterior da banda, The King Is Dead, de 2011, entrou na parada de sucessos da Billboard na 1.a posição e recebeu duas indicações ao Grammy. Várias apresentações da próxima turnê da banda já estão com ingressos esgotados, incluindo o show no Beacon Theater, de Nova York, dia 6 de abril. Ainda assim, qualquer comentário a respeito de uma progressão nessas canções deve ser absorvido com calma. Até Anti-Summersong - uma referência a Summersong, celebrada joia do repertório da banda - soa cafona em suas recusas. "Até mais", canta Meloy. "Adeus/Cuidado para não tropeçar uns nos outros." Para uma banda de reputação tão erudita e elegante, trata-se de uma dose de autoconsciência marota e tapeação estratégica.

Tomado em conjunto, What A Terrible World, What A Beautiful World traz tons de concisão pop e maturidade, partindo daquilo que funcionou em The King Is Dead. Do ponto de vista lírico, há menos cardos, minaretes e palanquins - e, do ponto de vista musical, menos excessos digressivos - algo que já foi uma marca do estilo dos Decemberists. Make You Better é o single de rock indie mais esguio que a banda já produziu; em se tratando de grudar na cabeça, há um paralelo quase tão forte em The Wrong Year.

E o brilho retrô de Philomena ilumina uma fotografia instantânea de despertar sexual adolescente que, para Meloy, soa notavelmente sincera. Nos mesmos moldes, mas mantendo-se mais no espírito da banda, temos Lake Song, na qual ele recorda um momento em que "tinha 17 anos e uma excitação terminal", mas a alma incendiada de tanto ansiar pelo mundo. Meloy disse que este álbum se desenvolveu sem pressa, com as canções compostas em grupos, sem se ater a um conceito geral.

Trata-se de uma novidade bem-vinda, exemplificada em um par de músicas que refletem sua perspectiva de pai: Better Not Wake the Baby, uma dose de humor negro, e 12/17/12, que poderia ser sua oposta. Composta pouco depois do discurso do presidente Barack Obama a respeito do massacre na escola de Newtown, Connecticut, a canção ecoa de um ponto de partida perturbado, com Meloy se desesperando com a notícia e ao mesmo tempo agradecendo pela própria sorte. Os poucos artifícios que espreitam nessa música, cujos versos dão título ao disco, conseguem deixar fluir seus sentimentos sinceros. E, se é desse tipo de mudança que estamos falando, devemos recebê-la de braços abertos./TRADUÇÃO DE AUGUSTO CALIL

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