Thaíde e Dj Hum propõem rap pacifista em novo CD

Thaíde & Dj Hum são exceção no cenário de hip-hop nacional. Precursores do movimento e idealistas, Humberto Martins (Hum) e Altair Gonçalvez (Thaíde) são referência e influência para todos os DJ´s, rappers, mestres de cerimônia e dançarinos de break mais novos. Há mais de 15 anos batalhando para divulgar a cultura negra das periferias nacionais, sabem qual a mensagem e o público que querem atingir. Por isso, em seu sétimo álbum, Assim Caminha a Humanidade, lançado nesta semana pela Trama, procuram mostrar aos fãs e às novas bandas a invalidade da violência como forma de contestação e reivindicação."Nesta guerra suburbana não existem vencedores", sentenciam. Os usuais libelos pró-violência que caracterizam o discurso de outros rappers brasileiros, principalmente os mais novos, como eles explicam, não têm vez neste álbum. Foram substituídos por mensagens pacifistas. Mas não conformistas. Pregam a união de forças. Para a dupla, somente a prática social integrada permite alguma transformação.Fora as letras, fundamentais ao bom rhythm and poetry, Assim Caminha a Humanidade é extremamente sonoro. Reúne elementos de funk, soul e MPB. "Cerca de 90% do trabalho foi feito com samplers", conta Hum. "A gente pesquisou bastante para este disco. Fomos buscar samplers desconhecidos, algo menos pop."No quesito parcerias, os velhos companheiros de estrada, como os cantores Lino Crizz, Paula Lima e Ieda Hills, continuam a colaborar. A eles, juntaram-se velhos e novos integrantes do movimento hip-hop brasileiro. Da velha guarda, Marcelo D2 e o grupo RZO. Da nova geração, os grupo Estado Crítico, SPFunk, Muralha Negra, SNJ, Academia Brasileira de Rima, Aliados do Gueto e o rapper Dexter, do 509-e (banda formada no presídio do Carandiru). A mais inusitada das participações é de Nelson Triunfo, rapper pernambucano que propõe na faixa Desafio No Rap Embolada um "duelo" entre côco e rap. Mediado por Chico César, o embate mostra ao público as origens comuns dos gêneros. "A participação que fizemos no seu disco Beleza Mano abriu espaço para novos encontros. Encontrei com Chico na época da gravação do disco e disse: ´estamos gravando uma música, só falta você´. Ele topou na hora e o resultado está aí", conta Hum. Estatísticas - "Nós fomos os jovens que sobreviveram às estatísticas", diz Hum, referindo-se às constantes chacinas das periferias paulistanas. Conhecedores do subúrbio, ele e seu parceiro Thaíde aproveitaram o disco para esclarecer qual é a finalidade de um rapper. Como, afinal, deve agir esse artista que está em constante sintonia com os jovens carentes brasileiros? "Estamos mostrando a necessidade que temos de lutar pelos nossos direitos. Eles estão previstos na constituição", diz Hum, com sua voz sempre mansa. Trata-se de um discurso consciente e de conscientização. Por isso, paralelo ao trabalho artístico, desenvolvem programas sociais. Thaíde dá aulas na Casa do Hip Hop Canhema, um centro cultural em Diadema, Grande São Paulo. No mesmo local, Hum costuma ministrar cursos para DJ´s. Pelo Brasil afora - onde quer que os convidem - ensinam aspectos da cultura negra em palestras e workshops. São também produtores e donos de um selo independente. Até agora foram responsáveis pelo lançamento de apenas um disco. A coletânea de novos rappers Rima Forte saiu pela gravadora Trama - pela qual também lançam os seus discos - no final do ano passado."Fazemos tudo isso porque acreditamos que esta nova geração, que faz parte do movimento hip hop, pode dar continuidade ao trabalho que fazemos desde os anos 80", afirma, otimista, Hum.Assim Caminha a Humanidade, de Thaíde & Dj Hum. Gravadora Trama. Preço médio: R$ 18.

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