Testemunha explica comportamento de vítima de abuso

Pela segunda vez em menos de duas semanas, Michael Jackson chegou atrasado à audiência de hoje do julgamento em que é acusado de abuso de menor, andando lentamente e com dificuldades até a sala da corte. Mas, o juiz ordenou que os testemunhos fossem retomados sem pedir explicação para o atraso de 45 minutos.O juiz da corte superior Rodney S. Melville ordenou aos advogados que continuassem interrogando um investigador, o sargento Conn Abel, que começou a depôr na semana passada, antes do recesso. Pelo mesmo motivo Jackson, de 46 anos, chegou atrasado no dia 10 de março, chegando à corte de pijama e pantufas, com um blazer por cima, sob ameaça do juiz de ser preso ou ter confiscados os US$ 3 milhões pagos como fiança para responder ao processo em liberdade.Pouco depois de iniciada a audiência a promotoria chamou para depor o psicanalista Anthony J. Urquiza, especializado em abuso de crianças. Ele não disse imediatamente quando ele entrevistou o acusado, que tinha 13 anos e sofria de um câncer, quando sofreu o alegado abuso sexual. Urquiza falou aos jurados sobre o que ele chamou de "síndrome de abuso sexual de crianças", que explica o fato de os garotos demorarem para fazer a denúncia e se contradizerem em suas versões dos fatos, o que se deve muitas vezes a possíveis ameaças por parte das pessoas que abusaram deles ou pela humilhação que sentem pelo que padeceram. Ele disse que os garotos que sofre abuso de homens têm maior dificuldade em denunciar do que as garotas, pela relação que estabelece com a homossexualidade.A testemunha falou sobre relacionamentos nos quais a criança gosta ou ama a pessoa que abusa dele. "A necessidade que eles tem de afeição e de alguém que cuide deles ajuda a sustentar o relacionamento", disse Urquiza.O advogado de defesa de Jackson também fez perguntas a Urquiza. "Se você tem uma mãe e três filhos sem a figura e a presença do pai, separado deles após um divórcio traumático. Por alguma razão a mãe e as crianças adotam uma pessoa como a figura do pai e subitamente isso acaba. Você pode imaginar uma situação como essa em que a mãe induz as crianças a fazer falsas acusações de abuso sexual?" Urquiza disse que apenas de 2 a 6% dos alegados abusos são resultado de algum tipo de acordo e disse que o cenário que Mesereau descreveu parecia inacreditável e que ele não conhecia nenhuma investigação sobre uma falsa denúncia de abuso motivada por dinheiro.Jackson, de 46 anos, enfrenta dez acusações, entre elas abuso sexual, conspiração e fornecer bebidas alcoólicas a menores.

Agencia Estado,

21 de março de 2005 | 21h23

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