Testemunha diz que vídeo destrói imagem de Jackson

Neste terceiro dia de depoimentos de testemunhas sobre o caso de abuso sexual de um menor pelo astro pop Michael Jackson, a sessão do Tribunal de Santa Bárbara prosseguiu em torno do documentário Vivendo com Michael Jackson, realizado em 2003 pelo jornalista britânico Martin Bashir. Os promotores chamaram para depor a relações públicas Ann Gabriel Kite, que foi contratada pelo então advogado de Jackson David Le Grand, em fevereiro de 2003, por US$ 20 mil, para reverter a imagem negativa que o vídeo havia provocado, e que detonou as acusações de abuso sexual contra o artista. "O documentário era um absoluto desastre para Jackson", disse Ann.O vídeo de duas horas foi exibido ontem, no tribunal. Mostrou o cantor de mãos dadas com o menino que o acusa e dizendo que eventualmente dormia com crianças. Causou constrangimento por um lado e, por outro, emocionou as pessoas favoráveis ao cantor com as revelações sobre sua infância. Em alguns momentos, Jackson gesticulou com a cabeça, acompanhando o ritmo de Thriller.O promotor Tom Sneddon chamou ontem o jornalista Martin Bashir para depor. Ele foi evasivo ao responder às perguntas do advogado Thomas Mesereau Jr., alegando que, como jornalista, tinha o direito de não responder a determinadas questões. Ponto por ponto, Mesereau rebateu as três horas de acusações do promotor Sneddon.Os promotores querem demonstrar que após a exibição do documentário Vivendo com Michael Jackson, este, e mais cinco assessores tentaram seqüestrar a suposta vítima e seu familiares, mantendo-os confinados em seu rancho Neverland.Por isso, a acusação convocou Ann Gabriel Ann para depor. Ela disse que trabalhou para ele por apenas seis dias e nunca o encontrou. Interrogada pelo promotor Gordon Auchicloss, sobre a magnitude do desastre do documentário em uma escala de 1 a 10, e ela respondeu, 25.Ann disse que tentou fazer um novo documentário que desviasse a atenção do "homem" para o "músico", mas afirmou que os problemas aumentaram quando foram revelados detalhes do acordo de Jackson com a família do menino que o acusou de abusos sexuais semelhantes em 1993. O caso não foi julgado em virtude de um acordo milionário entre as partes.Ann mencionou também a infiltração de informações relacionadas com o caso de 1993 na página da internet www.thesmokinggun.com. O documento foi uma declaração feita sob juramento do denunciante de Jackson em 1993, quando o adolescente descreveu com todo luxo de detalhes os pressupostos abusos do cantor. "Em sintonia com o documentário de Bashir, creio que foi muito pior que um desastre", afirmou Ann.Esse caso foi mencionado por Ann diante dos jurados, apesar de o juiz estatal Michael S. Melville ainda não ter decidido se ele poderá ser citado no julgamento, justamente por não ter sido julgado.O advogado de defesa do cantor Thomas Mesereau Jr. fez objeção às perguntas em torno do caso de 1993, e o juiz advertiu aos jurados que só deveriam considerar essas declarações no que concerne aos motivos de Ann e não à "veracidade do assunto".Enquanto era funcionária de Jackson, Ann revelou que no dia 13 de fevereiro de 2003 recebeu uma ligação desesperada de Marc Schaffel, um assessor de Jackson, que lhe disse que a suposta vítima de Jackson, seus irmãos e sua mãe haviam deixado o rancho Neverland, em Santa Bárbara. Ann disse que começou a inquietar-se pela família quando Schaffel voltou a ligar para ela dizendo que a situação estava resolvida. Nesse momento, ela chamou Le Grand e foi incisiva: "não me diga que os familiares foram perseguidos como cães e mantidos no rancho". Segundo ela, Le Grand respondeu: "agora não posso falar". Pouco depois, a mulher foi despedida. Jackson, de 46 anos, é acusado de cometer abusos sexuais contra um adolescente de 13 anos, que sofria de câncer, em seu rancho Neverland em 2003, ter dado bebida alcoólica ao garoto e mantido sua família confinada em seu rancho.

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