Testemunha diz que acusador de Jackson é rude

Uma comissária de bordo, cujo depoimento enfraqueceu a tese da acusação de que Michael Jackson teria servido álcool a seu acusador durante uma viagem de avião, disse hoje ao júri que o garoto era rude, indisciplinado e iniciou uma guerra de comida.Cynthia Bell voltou ao banco das testemunhas pela segunda vez para falar sobre uma viagem com Jackson, seu acusador e membros da família do menino, de Miami para Santa Bárbara, em fevereiro de 2003. Ela repetiu seu depoimento de ontem, quando disse ter servido vinho a Jackson em uma lata de coca diet e que não viu se o acusador bebeu da lata, como a acusação afirma.Cynthia também disse que Jackson parecia estar alegre por ter bebido o vinho, mas não bêbado. Ela disse que, num certo momento, o acusador jogou purê de batatas em um médico que dormia e estava viajando com Jackson, o que resultou numa guerra de comida entre os passageiros. "A primeira vez em que ele jogou o purê não foi brincadeira. Jogar purê em um homem adormecido?", disse Cynthia.A comissária de bordo foi chamada pela acusação, mas as respostas dela às perguntas do promotor Gordon Auchincloss e o interrogatório feito pelo advogado de defesa Thomas Mesereau Jr. terminou por favorecer Jackson.Cynthia disse que o garoto fez alarde em torno de um relógio que ganhou de Jackson. A promotoria diz que o relógio foi um suborno para que o garoto não contasse que Jackson lhe dava álcool. "Ele dizia coisas como ´olha o que Michael me deu´ e ´este relógio é muito caro´", ela disse."Ele chegou a dizer ´Michael comprou este relógio para mim e ele compraria qualquer coisa´", ela disse. A defesa alega que o garoto e sua família tentavam extorquir dinheiro de Jackson e outras celebridades.O promotor perguntou se o comportamento de Jackson mudou durante o vôo. Ela disse que ele sempre grosseiro, com exceção de quando ouvia música. Questionada por Mesereau, ela disse que a mãe do garoto sabia do mau comportamento do menino e não fazia nada para evitar. A comissária também disse que o garoto fazia uma série de reclamações desmedidas. "Ele era muito exigente durante os vôos", ela disse. Mesereau parecia feliz ao interrogar Cynthia a respeito do comportamento do menino. "Você disse ao júri todas as coisas grosseiras de que você se lembra?", perguntou. "Bem, há tantas", ela disse, acrescentando que o garoto também reclamou da falta de toalhas no banheiro.Ontem, Cynthia disse que foi idéia dela servir vinho para Jackson em latas de coca e que isso tornou-se uma rotina nos vôos porque "Michael Jackson é um bebedor discreto". Ela disse que o astro era um passageiro nervoso e não suportava turbulências.Jackson chegou à corte hoje sob os gritos de alguns fãs que o aguardavam na rua. O astro pop acenou e jogou beijos ao público. Ele não mostrou sinais da limitação de movimento que exibiu nas últimas semanas após cair em sua casa e machucar a coluna. Jackson, de 46 anos, é acusado de abusar do garoto seu rancho Neverland entre fevereiro e março de 2003, de lhe dar bebidas alcoólicas e conspirar para manter a família dele presa em sua casa. Segundo a acusação, o cantor teria obrigado a família a participar da produção de um vídeo para recuperação de sua imagem, abalada depois da exibição do documentário Vivendo com Michael Jackson, em que ele aparece de mãos dadas com seu acusador e diz que gosta de dividir a cama com crianças.

Agencia Estado,

30 de março de 2005 | 16h48

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