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Testament e Cannibal Corpse trazem as vozes da experiência a SP

Grupos americanos encerram viagem pelo Brasil neste domingo, em show no Music Hall, em Belo Horizonte (MG)

Luiz Fernando Toledo Antunes, O Estado de S. Paulo

22 de novembro de 2015 | 21h28

O palco do Carioca Club, em Pinheiros, zona oeste de São Paulo, cedeu seu espaço ontem às vozes da experiência. De um lado, Cannibal Corpse, a mais tradicional banda de death metal em atividade, criada em 1988. De outro, o fabuloso Testament, ícone do thrash, que teve a carreira iniciada em 1983. Pela primeira vez unidos em turnê, a dupla lotou o espaço para cerca de 5 mil pessoas com repertórios que partem da famosa "Bay Area", berço do thrash em São Francisco na década de 80, aos últimos lançamentos.

Este foi o sexto show dos peso pesados, que encerram a maratona no dia 2 de dezembro, quando se apresentarão em Guadalajara, no México. Neste domingo, as bandas devem se apresentar no Music Hall, em Belo Horizonte (MG).

Nenhuma das bandas traz exatamente uma novidade. Testament, por exemplo, retornou ao país para exibir mais uma vez seu bem-sucedido Dark Roots of Earth, de 2012. O grupo é formado por Chuck Billy (vocal), Steve DiGiorgio (baixo), Gene Hoglan (bateria), Eric Peterson (guitarra) e Alex Skolnick (guitarra).

Já o Cannibal Corpse apresenta pela primeira vez um material mais recente, embora não seja deste ano: A Skeletal Domain foi lançado em 2014. Eis o quinteto: George "Corpsegrinder" Fisher (vocal), Rob Barrett (guitarra), Pat O'Brien (guitarra), Alex Webster (baixo) e Paul Mazurkiewickz (bateria).

Como boas bandas intergeracioniais que são, o público que vai ao show é variado: do adolescente rebelde acompanhado do pai ao cabeludo já com a barba branca e as tatuagens apagadas. Com este tipo de ouvinte, não é fácil equilibrar o set, que contempla uma discografia para lá de variada. Cannibal Corpse tem 14 álbuns de estúdio. Já o Testament, que tradicionalmente dá espaço entre um lançamento e outro, dez.

O espetáculo das baterias-metralhadora teve início com a banda de death metal, que tocou por cerca de uma hora. Carisma não é exatamente o forte do vocalista Fisher. Entre uma música e outra de nomes pouco decifráveis, como Scourge of Iron

e Demented Aggression, praticamente não há interação com o público. A voz absurdamente grave e cavernosa faz dupla com os cabelos que cobrem o rosto em quase todo o set. Entre uma faixa e outra, nenhuma palavra.

Mas não é exatamente um palestra que os fãs estavam esperando. Do início ao fim foi possível sentir que houve seleção das músicas e ninguém ficou inerte aos riffs cortantes e velozes do grupo.

O momento mais alto do show foi, sem dúvida, quando tocaram Hammer Smashed Face, uma espécie de hino do Cannibal Corpse e, por que não, de todo gênero que ajudaram a fundar. Os riffs são memoráveis. Tão memoráveis que já estiveram no cinema mainstream: o grupo já tocou a mesma música no filme de comédia Ace Ventura, protagonizada por Jim Carrey, a convite do ator. 

Testament sobe ao palco com alguns minutos de atraso, mas faz valer a espera. Clássicos e novas músicas dividem o set: True Believer, the Preacher e a mais recente More Than Meets the Eye. Como praticamente em todo show da banda, a execução de D.N.R. (Do Not Resuscitate) é esperada por todos. Os guitarristas Peterson e Skolnick interagem com headbangers desorieontados que estão perto da grade praticamente em todos os solos, apontando e fazendo caretas. 

Chuck Billy é um espetáculo à parte. Com seu microfone acoplado a um pedestal que mais parece um pau de selfie, agradece constantemente a todos os presentes enquanto bate com uma das mãos no peito. Quando Into the Pit tem início, ele relembra do auge do Thrash Metal e diz que a música foi feita para todos os "loucos" que estão ali no círculo de bate-cabeça. 

Parte do set parece ter sido cortada pelo atraso. A dez minutos do encerramento, Billy diz ao público que precisava correr para tocar tudo. Faltou, por exemplo, a faixa título The Formation of Damnation, que estava na lista de outros shows recentes feitos pelo quinteto. Mas o tempo curto não foi empecilho para que ele e seus músicas fizessem uma longa despedida, como se não quisessem partir. Agradeceram dezenas de vezes, cumprimentaram os fãs e deixaram o palco às 22h.

Veja a agenda completa da turnê:

14/11 - Clube Português - Recife, Brasil

15/11 - Armazém - Fortaleza, Brasil

17/11 - Opinião - Porto Alegre, Brasil

18/11 - Music Hall (NOVO LOCAL) - Curitiba, Brasil

20/11 - Circo Voador - Rio de Janeiro, Brasil

21/11 - Carioca Club - São Paulo, Brasil

22/11 - Music Hall - Belo Horizonte, Brasil

24/11 - Groove - Buenos Aires, Argentina

25/11 - Teatro Caupolican - Santiago, Chile

26/11 - Embarcadero 41 - Lima, Peru

28/11 - Downtown Majestic - Bogotá, Colômbia

29/11 - Peppers Club - San José, Costa Rica

01/12 - Pabellon Oeste del Palacio de los Deportes - Cidade do México, México

02/12 - Teatro Studio Cavaret - Guadalajara, México

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