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Terra natal de Roberto Carlos conta os minutos para seu show

População faz semana de homenagens e aguarda momento do primeiro show do artista em 14 anos

Jotabê Medeiros, enviado especial,

15 de abril de 2009 | 23h44

Roberto Carlos volta a sua casa em grande estilo, dizem os outdoors que estão por todo lado em Cachoeiro do Itapemirim, no Espírito Santo, terra natal do cantor. Um relógio na praça Jerônimo Monteiro faz a contagem regressiva para o show que o artista apresenta no domingo, no Estádio do Sumaré, e que já está com os ingressos esgotados. Um selo com um coração e a inscrição Como é Grande o Nosso Amor por Você decora banners e postes. Os moradores estão preparando panos azuis e brancos para acenarem de suas janelas na hora em que a comitiva dele chegar à cidade, no domingo, dia em que o cantor completa 68 anos.

 

Havia 14 anos que a cidade natal do ‘Rei’ não recebia um show do seu mais ilustre nativo. O filho pródigo à casa torna para cantar uma seleção inédita que reúne sucessos escolhidos em seus 50 anos de carreira, que celebra com uma turnê que passa por 20 cidades brasileiras e depois vai à América Latina e do Norte, culminando com um show no Radio City Music Hall de Nova York em janeiro, parte do projeto ItaúBrasil. O lugar que ele escolheu para iniciar a festa é aquele onde tudo começou, a pacata cidade às margens do Rio Itapemirim.

 

Mas há detalhes nem tão pequenos no caminho. Com as chuvas que desabaram sobre o Espírito Santo, tudo está tão certo em Cachoeiro como dois e dois são cinco. Há alguns dias, uma parte da arquibancada do Sumaré, o estádio onde ele vai se apresentar, desabou. Um muro de reforço começou a ser construído e os reparos correm em ritmo acelerado. Há uma semana, 80 homens trabalham no estádio dia e noite, sob sol e chuva, para que o estádio esteja pronto para receber 12 mil pessoas na noite de gala do Rei. São tantas emoções, bicho!

 

Como o Estádio do Sumaré (a casa oficial do Estrela do Norte Futebol Clube) fica encravado num vale, muita gente que mora nas imediações vai poder assistir de camarote ao show, na janela da própria residência. É o caso do bombeiro Carlos Alberto Caetano. “Lá da minha casa dá para ver tudo. Vou reunir os vizinhos e os amigos na laje e curtir muito o show”, disse. Há informações de que alguns outros privilegiados estão sublocando seus “camarotes”, cobrando para que os sem-ingresso possam ver o espetáculo.

 

“O senhor vai se assustar ao ver o rancho onde ele nasceu”, disse o taxista Nilton Neves de Freitas, mostrando ao visitante a casa da Rua João de Deus Madureira, onde o filho do relojoeiro Robertino e Dona Laura veio ao mundo. Um telhado de uma caída só, residência modestíssima.  “Recordo a casa onde eu morava, o muro alto, o laranjal, meu flamboyant na primavera, dando sombra no quintal”, diz Roberto Carlos na letra de Meu Pequeno Cachoeiro, em homenagem à terrinha.

 

A Casa de Cultura Roberto Carlos guarda hoje alguma memorabilia do artista (o piano onde teve aulas no Conservatório de Música, fotos, discos, um contrabaixo que usou na banda local de José Nogueira, um ferro de passar, um fogão a lenha, um lavatório, entre outros objetos) informou que dobrou o número de visitantes no local – eram 100 mil até a reabertura, essa semana. Segundo José Elias Ferreira Rios, zelador do pequeno museu, está chegando gente de todo o País para a semana Roberto Carlos.

 

Os programas prosseguem a todo vapor em Cachoeiro. Ontem, coral de 85 meninos apresentou músicas do cantor na escadaria do Palácio Bernardino Monteiro. Os hotéis estão lotados. Para ocupar toda essa gente, há seminários sobre a Jovem Guarda, balés coreografados com seus sucessos, shows de artistas locais revisitando seu repertório (e até o de Sergio Sampaio, o outro gênio capixaba da MPB que passou a vida tentando fazer com que seu conterrâneo Roberto Carlos gravasse uma música sua).

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