Terra e Refazenda lançam rádio na Internet

O portal Terra e a Refazenda Produções, empresa do cantor e compositor Gilberto Gil, lançaram na tarde desta quarta-feira, no Museu da Imagem e do Som, a web rádio Expresso 2222. Composta por três estações, com nomes que fazem referência a letra da canção composta por Gil na década de 70, Bonsucesso, Central do Brasil e Tempo Afora, a rádio www.expresso2222.com.br já está no ar. O novo site traz também informações. São oito canais que acumulam desde dicas de grandes artistas da música brasileira, pequenas biografias dos artistas até links para sites pessoais e de gravadoras.Duas versões foram colocadas à disposição do internauta, uma em flash, com imagens psicodélicas onde predominam o verde e o laranja e outra em html, cujo acesso é mais veloz. Para ouvir as rádios basta ter no computador os softwares de áudio Windows Media ou Real Player. Para marcar o início das atividades do Expresso 2222, o MIS promoveu uma mesa redonda com Gilberto Gil, André Vallias, sócio-diretor da Refazenda, João Marcelo Bôscolli, presidente da Trama, Dj Marky e Miranda, diretor artístico da Trama. A mediação foi feita pelo apresentador e videomaker Marcelo Taz.No debate, Gil não profetizou qual será o futuro da rede mundial de computadores. Também não arriscou um palpite sobre os caminhos, ou descaminhos, do site que acaba de inaugurar. O músico defendeu ser o meio, ainda, extremamente volátil. ?Estamos apenas descendo do céu e chegando a Terra?, disse, brincando com o nome do patrocinador de sua primeira aventura no universo das empresas pontocom. André Vallias, sócio-diretor da Refazenda, empresa gerida por Flora Gil, esposa do músico baiano, explicou qual a principal diferença entre o Expresso 2222 e outras web-rádios, como a Usina do Som. ?Pretendemos funcionar como um filtro, o público irá interagir ao opinar sobre a programação selecionada previamente e não ao escolher quais músicas ouvir?. Gil fez sua metafórica intervenção: ?Não somos um supermercado, mas uma boutique?. Por isso, as músicas não serão dispostas em gêneros. Para fazer parte de Expresso 2222, a música tem que dialogar com a de Gilberto Gil. O autor de Drão revelou não nutrir grande afeição pela tecnologia, mas enxerga os novos meios de comunicação como uma realidade a ser assimilada. ?Os artistas continuaram produzindo, e a net, para quem trabalha com criação, é um espaço experimental?, disse. ?É provável que daqui a 222 anos, ano de partida do expresso, a Internet não exista mais. No entanto, a produção musical brasileira de hoje será lembrada?. Direitos autorais na rede foi o assunto que mereceu maiores considerações por parte dos integrantes da mesa redonda. Gil, certa hora, irritado com os advogados, que para ele são os maiores beneficiados com o advento da web, disse: ?Nas rádios convencionais as grandes gravadoras pagam para tocar suas músicas, e na web querem receber para que sejam tocadas?. Um exemplo disso foi dado pelo repórter do site Musical MPB. O jornalista lembrou que a Warner, gravadora de Gil, cobra R$ 0,03 pela execução de uma canção na Internet. Questionado, Vallias respondeu: ?É, se quisermos tocar Expresso 2222 na rádio Expresso 2222 teremos que pagar pois os fonogramas pertencem à gravadora?.

Agencia Estado,

06 de dezembro de 2000 | 22h14

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