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Terceiro disco do Velvet Underground ganha edição de aniversário

Álbum que leva o nome da banda, lançado em 1969, já sem a presença de John Cale, definiu o termo "indie" usado até hoje

Pedro Antunes, O Estado de S. Paulo

24 Dezembro 2014 | 16h55

 Hoje é até curioso pensar nisso, mas, em 1968, ninguém parecia se importar com o Velvet Underground - ou mesmo com a saída de John Cale, pilar experimental e uma das lideranças do grupo, ao lado do icônico Lou Reed. A banda estava prestes a voltar ao estúdio para o terceiro álbum, que levaria o nome do grupo e comemora, em 2014, 45 anos de existência com uma reedição de luxo de até seis discos, mas a saída de Cale criava incertezas, principalmente para o restante dos integrantes, Sterling Morrison (guitarra solo e rítmica), Maureen Tucker (bateria e percussão) e o recém-chegado Doug Yule (baixo). O futuro se resumia a pontos de interrogação em série. 

No ano anterior, a banda havia lançado White Light/White Heat, um álbum caótico e experimental. Cheio de ruídos, o trabalho é exatamente o oposto ao colocado nas prateleiras em 1969 -, mas igualmente pouco notado, como o sucessor, The Velvet Underground. 

A discrepância entre os dois discos é tamanha que funcionou como combustível para os rumores de uma rixa artística existente entre Reed e Cale, já que sem o parceiro, Reed adotou uma sonoridade tradicional, o mais próximo do pop que era possível imaginá-lo fazendo, na época. Ainda assim, o disco não perdeu com a marca definitiva e definidora construída pela ausência de amarras no direcionamento da banda.

A versão superluxo que chegou às lojas para comemorar o 45.º aniversário do álbum tem seis discos e 65 canções e segue o padrão de lançamentos dos outros dois álbuns da grupo, The Velvet Underground & Nico (1967) e White Light/White Heat (1968). 

O primeiro disco da caixa traz a versão do álbum de 1969 na íntegra, remasterizado. Já o segundo tem o que Morrison chamou de “mix de armário”, realizado pelo próprio Reed, cujo som abafado parece ter sido registrado em um armário. 

O pacote inclui ainda uma versão em mono usada apenas para a promoção do álbum, dois discos ao vivo gravados durante uma residência do grupo na casa de shows Matrix, em São Francisco. Ali, a banda tocou a faixa Sister Ray, do disco anterior, White Light/White Heat, por 26 minutos, por exemplo. Por fim, o mais interessante está no registro de sessões de estúdio em Nova York, ainda em 1969, com experimentos que seriam destinados ao quarto disco, mas acabaram deixados de lado por disputas com a gravadora. Reed gravou alguns deles na carreira solo, posteriormente, como Lisa Says e I Can’t Stand It.

Candy Says, um dos maiores hits da história do grupo, abre The Velvet Underground, como um cartão de visitas, mostrando o lado palatável da banda, cujo auge, neste registro, é Pale Blue Eyes. As baladas perdem espaço, contudo, no quesito influência. What Goes On, por exemplo, estabeleceu padrões para o garage rock, enquanto The Murder Mistery poderia ter sido feita pelo Sonic Youth, vindo décadas depois, e ninguém duvidaria disso. 

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