Teo Macero, produtor de Miles Davis, morre aos 82 anos

Músico, ele tocou com Charles Mingus, Teddy Charles e os irmão Sandole, entre outros

Ben Ratliff, do New York Times,

22 Fevereiro 2008 | 18h03

Teo Macero, produtor musical, compositor e saxofonista, mais conhecido por seu papel na produção de uma série de álbuns de Miles Davis entre o fim da década de 1960 e o início da de 1970, morreu nesta terça-feira, 19, em, Rieverhead, Nova Iorque. Ele tinha 82 anos e viveu em Quogue, Nova Iorque.   Sua morte foi conseqüência de uma doença antiga, disse sua enteada, Suzie Lightbourn, sem dar mais detalhes.   Ajudando a construir álbuns de Miles Davis como "Bitches Brew", "In a Silent Way" and "Get Up With It", Macero usou técnicas parcialmente inspiradas por compositores como Edgard Varese, que usava edição de fitas de gravação e efeitos eletrônicos para ajudar a dar forma às músicas. Essas técnicas eram, na época, novas no jazz e não têm sido aplicadas ao estilo desde então. No entanto, os álbuns de eletric-jazz que ele ajudou Davis a criar - especialmente "Bitches Brew" que continua sendo um dos álbuns mais vendidos por um artista do jazz - têm ecos profundos em quase 40 anos de pop experimental, como o trabalho de Brian Eno e Radiohead.   A rotina de Davis no final da década de 1960 era gravar muitas músicas no estúdio com a banda, a maior parte delas improvisadas e baseadas em temas ou meros acordes que ele introduzia no local. Depois Macero, com a ajuda de Davis, editava juntando vários pedaços de improvisações para compor a faixa.   Por exemplo, Macero isolou uma pequena improvisação melódica que Davis tocou no trompete para "Shhh/Peaceful" em "In a Silent Way" e a usou como tema, colocando-a no começo e no final da música. Até mesmo gravações ao vivo eram às vezes tratadas como rascunhos; a primeira faixas da apresentação de Davis "Live at Fillmore East", de 1970, contém um trecho retirado de uma música diferente.   Macero acreditava que as versões finais dos LP's de Davis, com todas os seus cortes intrincados e ordenações - feitas em fitas de gravação usando uma lâmina de barba, em dias anteriores à edição digital - eram obras de arte, o objetivo completo do exercício. Ele se opôs à prática comum de lançar "boxes" que incluem todo o material gravado no estúdio, incluindo versões alternativas e inéditas. Macero não se envolveu no relançamento do material gravado por Davis para a gravadora Columbia.   Attilio Joseph Macero nasceu e cresceu em Glens Falls, Nova Iorque. Ele serviu a marinha e depois se mudou para Nova York para cursar a escola de música Julliard, onde estudou com o compositor Henry Brant. Em 1953, se envolveu com Charles Mingus na organização cooperativa chamada Workshop de Compositores de Jazz; tocou também em outros grupos de Mingus e lançou seus álbuns-solo pela gravadora Debut, fundada por Mingus e Max Roach.   Enquanto trabalhava simultaneamente como saxofonista tenor - com Mingus, Teddy Charles e os irmão Sandole, entre outros - e compondo música clássica moderna, assim como trabalhando no idioma classical-to-jazz, então chamado Third Stream, ele se juntou à gravadora Columbia Records em 1957. Primeiro, ele foi contratado como editor musical e, em 1959, se tornou produtor de pessoal.   Na Columbia ele trabalhou com artistas como J.J. Johnson, Mahalia Jackson, Johnny Mathis, Thelonious Monk and Dave Brubeck, para quem ele produziu o famoso álbum "Time Out". Ele também produziu álbuns de elencos da Broadway como "A Chorus Line" e trilhas sonoras para filmes.   Macero saiu da Columbia em 1975. Ele trabalhou depois com o cantor Robert Palmer, the Lounge Lizards, Vernon Reid, D.J. Logic e outros.   Além de Lightbourn, ele deixou sua esposa, Jeanne, e sua irmã, Lydia Edwards.

Mais conteúdo sobre:
Teo Macero Miles Davis jazz

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.