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Temporada do Teatro São Pedro terá cinco óperas

Entre os títulos, 'Ártemis', de Alberto Nepomuceno, e 'Iphigénie en Tauride' , de Gluck

João Luiz Sampaio, O Estado de S. Paulo

28 de janeiro de 2014 | 17h30

Um número maior de óperas (cinco, contra três no ano passado), um orçamento 30% mais alto (R$ 2,6 milhões), uma dotação específica para a academia de cantores - a direção do Teatro São Pedro anunciou ontem, repleta de otimismo, seus planos para a temporada 2014, que incluem até projetos a longo prazo para a temporada do centenário do palco, que se completa em 2017.

Há razões para o tom esperançoso. Depois de turbulências causadas por trocas de comando artístico e de formato de gestão, o São Pedro pareceu, no ano passado, encontrar seu caminho. Apostando em um repertório adequado a suas dimensões, realizou montagens que estiveram entre as principais do País e deu a largada ao projeto da academia, assumindo sua vocação como plataforma de formação de jovens artistas.

As conquistas, no entanto, são proporcionais aos desafios que ainda estão pela frente. Falta ao teatro, por exemplo, um coro, que tem sido o ponto fraco das montagens dos últimos anos. Quanto à academia, a dotação própria anunciada ontem é ainda baixa: R$ 70 mil. E os projetos a longo prazo podem esbarrar na renegociação, no fim de 2015, do contrato de gestão com o Instituto Pensarte.

Ainda assim, o secretário de Estado da Cultura, Marcelo Araujo, acredita que a temporada de 2013 serviu para consolidar definitivamente a vocação lírica do São Pedro - e, com a programação deste ano, apontar uma proposta específica dentro do cenário musical brasileiro. Nisso, é secundado pelo maestro Emiliano Patarra, diretor artístico do teatro, para quem a programação visa à heterogeneidade de épocas e estilos.

Nesse painel amplo, no entanto, se desenha uma linha em especial - o investimento  no repertório brasileiro. Na temporada 2014, ele aparece em duas vertentes. De um lado, a reencenação, em março, de O Menino e a Liberdade, ópera encomendada e estreada no teatro no ano passado; de outro, apresentações, em setembro, de Ártemis, de Alberto Nepomuceno, compositor brasileiro que trabalhou na passagem do século 19 para o século 20.

O Menino e a Liberdade volta ao palco em março, agora como ponto de partida de uma trilogia encomendada a Ronaldo Miranda e ao libretista Jorge Coli. Seu tema era a liberdade e eles resolveram criar mais dois títulos, fechando um ciclo dedicado ao lema da Revolução Francesa: em 2015, estreia uma ópera que terá como tema a fraternidade e será baseada em texto de Machado de Assis; e, em 2017, agora tendo como base crônica de Monteiro Lobato, uma obra com a igualdade como ponto de partida.

Outro ciclo que se inicia em 2014, também de olho na temporada do centenário, é o das óperas escritas por Mozart com libretos de Lorenzo Da Ponte. As Bodas de Fígaro sobe ao palco em dezembro e será seguida, nos próximos anos, por Cosi Fan Tutte e Don Giovanni. A direção cênica será de Lívia Sabag.

O primeiro novo título da temporada, no entanto, em maio, será Iphigénie en Tauride, de Gluck. “Esta é uma lacuna de nossos teatros, esse repertório que marca a transição do barroco para o classicismo”, explica Patarra. Na sequência, em agosto, será encenada Las Horas Vacías, ópera com texto e música do compositor Ricardo Llorca, estreada em Nova York em 2011. A temporada também terá concertos, com destaque para a série Grandes Vozes (que recebe, entre outros, a soprano Mariela Devia) e para uma nova programação de concertos na manhã de domingo. 

Como no ano passado, estão disponíveis assinaturas para a programação. Até o dia 7, antigos assinantes podem renovar suas compras ou, de 10 a 14, fazer alterações em suas assinaturas. As vendas de novos pacotes vão de 17 a 27/2. Informações no site theatrosaopedro.org.br.

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