Television fechou Tim Festival no Rio; SP conheceu Arcade Fire

A veterana banda nova-iorquina Television foi o destaque da última noite do Tim Festival no Rio de Janeiro, tocando um set curto de apenas nove canções, na abertura do show de Elvis Costello and the Imposters. Abriu com Swells e fechou com seu clássico guitarreiro Marquee Moon, mas deu uma aula de rock para os jovens grupos que aterrissaram no festival. A música do Television não é música para bater pezinho.Antes de tocar o cover de Knockin´ on Heaven´s Door, de Bob Dylan, o líder do grupo, o monossilábico Tom Verlaine, dedicou a canção a uma misteriosa "amiga de São Paulo, Sofia". Primeiro grande show com mesas e cadeiras numeradas, o set do Television não resistiu nem 5 minutos intacto: os fãs invadiram a parte da frente do TIM Stage e desmontaram o esquema organizado.Verlaine parece uma versão junkie de Mark Knopfler. Fala pouquíssimo: "Essa é uma antiga composição de velhas gravações". E mandou See no Evil. O encerramento, com Marquee Moon, foi apoteótico e já é um dos momentos históricos do festival em todas suas edições.O Television está mais na origem do pop rock bem feito do que do punk rock (são comumente chamados de avôs do punk). Ouve-se e dá para fazer conexões imediatas: David Byrne em seu início, o deserto mítico de Wim Wenders, o Velvet e Lou Reed, trilha de western spaghetti. Seu som só parece precário, mas é extremamente bem elaborado. São Paulo - A edição deste ano do Tim Festival trouxe para São Paulo um selecionado de atrações da versão completa do evento, que acontece no Rio. Com poucas exceções, como os grupos Television e De la Soul, os principais shows do festival foram reunidos em um só dia no palco do Skol Arena. A primeira banda a se apresentar neste domingo foi o Mundo livre S/A, às 19 horas, quando grande parte do público ainda estava do lado de fora. A banda brasileira, que mostrou seu repertório de mais de uma década, montou um set cujo o ponto alto foi o cover de Guns of Brixton, da banda inglesa The Clash.Do rock do Recife para o funk carioca - que na verdade é feito por uma anglo-cingalesa. As batidas de pista do som da cantora M.I.A. não conseguiram empolgar o público. Nem mesmo as tentativas de comunicação em português salvaram o show. Para piorar a apresentação, o público ainda enfrentava problemas para entrar n arena devido ao único portão de acesso ao local.Se o ponto baixo da noite foi a M.I.A., a grande surpresa foi a banda canadense Arcade Fire. No palco, violão, guitarra, baixo, bateria, teclado, violino, violoncelo e até acordeon. Os sete membros, vestidos como banda de formatura, trocaram entre si seus instrumentos a cada música. A miscelânea, embora posa soar estranha, foi a responsável pela apresentação mais forte da noite. Tudo virava instrumento para o Arcade Fire, até mesmo um capacete. Em sessenta minutos de show, eles correram, pularam, se bateram, e ganharam um público que os desconhecia.A penúltima banda da noite tinha uma tarefa difícil: superar a Big Band Arcade Fire e aquecer os fãs dos Strokes. Para não correr rico, os King Off Leon abriram o show com seu maior sucesso, "Molly´s Chamber". Não superaram os canadenses, mas, com seu Hard rock setentista, conseguiram preparar o público para a grande atração da noite.A noite era StrokesPor mais que as outras bandas tenham tentado, a quantidade de camisas da banda de Nova York apontava a atração principal. Quando os Strokes entraram no palco, a noite já estava ganha. Pela primeira vez, o público inteiro cantou junto com uma banda. Até mesmo nas músicas que ainda não foram lançadas, mas que já podem ser baixadas pela internet.A banda aproveitou a recepção e testou algumas destas músicas.Nem mesmo o principio de chuva, acalmou o público, que aplaudia e gritava toda vez que o vocalista Juliam Casablanca interagia, fosse em inglês ou em um esforçado português.E a ligação com o Brasil, baterista brasileiro Fab Moretti, foi lembrado pelo público, mas Casablanca era o porta voz. A banda tocou com a calma de quem toca em pequenos clubes. Já com o público na mão, os Strokes fecharam o festival com "Reptilia", música pedida no bis. O baterista, então, foi ao microfone e se despediu dos seus "irmãos" brasileiros.Após do show, o público que ainda tinha energia ficou com a tenda eletrônica montada no evento.

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