Teatro Municipal corta programação por falta de verbas

Teatro Municipal corta programação por falta de verbas

Medida atinge temporadas de 2015 e 2016; ano que vem terá apenas três óperas

João Luiz Sampaio, Especial para O Estado de S. Paulo

25 de setembro de 2015 | 19h15

O Teatro Municipal de São Paulo fará reduções na sua programação deste ano e na temporada anunciada para 2016. Foram adiados os espetáculos que seriam realizados, em novembro, com o grupo Fura del Baus e cancelada a ópera Così fan Tutte, de Mozart. E a temporada lírica de 2016, que teria seis títulos, agora terá três, todos no primeiro semestre. O motivo é a falta de verbas: além dos R$ 99 milhões repassados pela prefeitura, eram necessários mais R$ 13 milhões, a serem levantados com a iniciativa privada, mas apenas R$ 1,6 milhão foi captado.

“O modelo de financiamento à cultura no Brasil de hoje está muito sujeito a flutuações no cenário econômico, que leva as empresas a rever a verba destinada a patrocínio. E isso ataca diretamente projetos de longo prazo, como os pensados por grandes instituições como o Municipal. Essa é uma questão de fundo que não pode ser ignorada. E, nos últimos dias, recebemos notícias de empresas que revisaram seus planos de patrocínio e de outras que precisaram mudar as datas do repasse de verbas. Por conta disso, chegamos à conclusão de que o mais reponsável seria colocar em prática essas medidas já no último trimestre e, por cautela, fazer também a revisão do próximo ano. Qualquer mudança nesse sentido vai depender da entrada de mais dinheiro”, diz José Luiz Herência, diretor geral da Fundação Theatro Municipal de São Paulo.

Segundo Herência, no entanto, não será afetado o plano de contratar por meio de CLT os cantores do Coral Lírico Municipal e do Coral Paulistano. “Esse foi um compromisso assumido no início da gestão. No ano passado, contratamos os músicos da orquestra e havíamos previsto a contratação, em 2015, dos cantores dos corais. Esse plano foi mantido e será colocado em prática em dezembro”, diz. De acordo com ele, dos R$ 99 milhões repassados pela secretaria, 70% é usado para pagamento de pessoal, “fora a manutenção do teatro e da Praça das Artes”.

No caso da ópera cancelada, os assinantes e aqueles que compraram ingressos receberão o dinheiro de volta. “Vamos criar uma central de atendimento específica para que as pessoas recebam todas as informações sobre como proceder. As óperas a serem apresentadas em 2016 serão Don Carlo, de Verdi; La Bohème, de Puccini; e Lady Macbeth, de Shostakovich. “O compromisso que assumimos foi o da qualidade e, neste momento, para que isso se mantenha, é necessário oferecer um número menor de produções. As temporadas de concerto e dos grupos estáveis do teatro, como a Experimental de Repertório e o Coral Paulistano, além das escolas de música e balé, se mantém.”

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