Maria Baranova
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Teatro Municipal apresenta a ópera ‘Prism’, sobre abuso sexual

Récitas da obra da canadense Ellen Reid, em São Paulo, serão acompanhadas de debates sobre o espaço para a mulher nas artes e no meio musical; confira vídeos

João Luiz Sampaio, Especial para O Estado

03 de setembro de 2019 | 13h35

O Teatro Municipal de São Paulo promove nesta quarta-feira, 4, a estreia brasileira da ópera Prism, da compositora canadense Ellen Reid. A obra, estreada no ano passado em Los Angeles, recebeu no início deste ano o Prêmio Pulitzer e trata de abuso sexual e da violência contra as mulheres. “Muitas óperas tratam do tema da violência e mostram ela acontecendo no palco. Pra mim, porém, o ato, o momento violento, não é a parte mais importante. O foco é como uma mulher lida com ele, como isso a afeta, como afeta a relação com si mesma”, diz ela ao Estado.

Reid começou a trabalhar em Prism há quatro anos, ao lado da libretista Roxie Perkins. Ambas foram vítimas de abuso. E, se a experiência pessoal se tornou uma referência importante na criação da obra, mais fundamental para as duas foi criar uma história que pudesse ir além de suas próprias experiências pessoais. “Eu queria que as pessoas sentissem o drama das personagens, que pudessem entrar em seus mundos. Nós tentamos mostrar o que elas sentem, com o objetivo de fazer a plateia reagir de forma intensa, até física”, explica Reid.

No palco, Prism apresenta duas personagens: a jovem Bibi (vivida pela soprano Anna Schubert) e sua mãe super protetora Lumee (a mezzo soprano Rebecca Jo Loeb). Elas vivem juntas e isoladas do mundo e protegem uma a outra de uma misteriosa doença que impede Bibi de andar. A direção é de James Darrah e a produção vem de Los Angeles, com participação de membros da Orquestra Sinfônica Municipal e do Coral Paulistano. A regência é de Roberto Minczuk.

Em seus três atos, a ópera alterna entre momentos quase oníricos e misteriosos e outros nos quais a realidade do drama de Bibi é revelada à plateia. “A música permite investigar esse universo interno da personagem, o que de fatos nos motivou”, diz Reid. “Ela entra na alma da personagem e também na do público, oferecendo contexto para o drama, diferentes perspectivas, levando o público em diversas direções. Esse é o ponto: permitir que as pessoas na plateia possam se relacionar com essa história, trazê-la para perto de si”, completa.

Perante o desafio de escrever uma ópera no século 21, Reid conta que não se preocupou com a longa história do gênero ao compor sua música. “Eu não me sinto parte dessa tradição. O que eu quis foi pensar na ópera hoje e não em um hoje ligado ao passado. É algo que me pareceu muito estimulante: criar uma obra nova fazendo uso de uma ampla gama de possibilidades musicais. Essa é uma música de agora, a partir de um tema fundamental em nossa época.”

A apresentação de Prism será acompanhada, nos dias 6 e 7, de um simpósio batizado de Diálogos Prismados, que vai discutir o espaço para a mulher no meio musical. A curadoria é da jornalista Camila Fresca e da dramaturga Marici Salomão. Os debates acontecem na Praça das Artes e a entrada é franca: é preciso apenas se inscrever no site www.theatromunicipal.org.br.

 

 

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