Teatro do Sesi festeja 21 anos do Lira Paulistana

A partir desta terça-feira, o Teatro do Sesi (Avenida Paulista, 1.313) inicia uma programação de shows que para comemorar os 21 anos do Teatro Lira Paulistana, sempre às terças-feiras, às 21 horas. O primeiro espetáculo é o de Itamar Assumpção, figura fundamental para a articulação vanguardista e independente, inserida no ambiente do Lira Paulistana."Eu acho que essa turma reunida quer mostrar que é sobrevivente", pontua Assumpção. "Mas, mesmo assim, todos estão dando frutos." Dessa geração que produzia música no Lira Paulistana estarão Vania Bastos (que se apresenta no dia 8), os grupos Sossega Leão (dia 15), Rumo (dia 22) e Premeditando o Breque (dia 29). Todos ainda fazem música."É difícil dar o seu recado de compositor num País que tem Milton, Caetano, Jorge Ben Jor e outros", afirma ele, referindo-se ainda a questão de "sobreviver" no Brasil. "Tem de provar, comprovar e essas coisas passam a ser mais claras, depois de um certo tempo", ressalta. "A movimentação em São Paulo foi importante para essa sobrevivência."Foi com disco Beleléu Leleu Eu, em 1980, que Assumpção fundamentou de vez a característica vanguardista do Teatro Lira Paulistana. O porão, criado em 1979, que ficava na Praça Benedito Calixto, além de espaço para manifestação cultural, ganhou status de selo independente, lançando artistas e os próximos álbuns do músico. "Com exceção de Arrigo (Barnabé), que já tinha carreira antes do Lira, todo mundo cresceu ali, naquele universo", diz. O Lira viveu com efervescência até 1985.Presente de aniversário - Em outubro, "no máximo", Assumpção deve lançar o segundo CD da trilogia Pretobrás. "Eu não tenho essa preocupação de ficar inseguro com pressões mercadológicas, já trilhei o meu caminho para isso e consegui; posso produzir com calma", conta. "Não estou preocupado com data agora, só em continuar a produção, mas quero estar com ele na mão até o fim de outubro, pois dia 13 de setembro é meu aniversário de 51 anos."Lúcido demais, Assumpção vai gravar um rap. Chama-se Afrodito e Afrodite. Ele é afrodito e Zélia Duncan, afrodite. "Faço rap, ritmo e poesia, desde Nego Dito, pois é uma linguagem universal urbana, não criada por americanos, um lamento dos nossos antepassados", acredita. "Sou, assim como os Racionais, um descendente de escravos africanos, Ben Jor, Melodia, Macalé também são", afirma. "A questão é que o rap, como significa ritmo e poesia, pode ser feito por quem não conhece e não sabe fazer melodia nem harmonia; é feito por gente que não fez universidade, que pode comunicar-se rapidamente e dar uma resposta à situação social." Como constata Assumpção, "se os Racionais se tornaram populares é porque são bem mais criativos e verdadeiros do que os Titãs".Diferentemente dos rappers, Assumpção sabe compor melodia e harmonia. Recentemente, sua criatividade foi utilizada por Rita Lee no seu novo CD, 3001. Ela canta Aviso aos Meliantes. "Rita é louca, canta meus versos ´quem não está do meu lado, que saia da minha frente´ e, assim, coloca-me ao seu lado", diz. "Pois é, o Brasil é isso, tem muitos mestres, ouvi muito Mutantes, Tom Zé, Cartola, tudo isso pra ser um aprendiz de feiticeiro."Pretobrás, a Missão (nome ainda não definitivo) terá além da participação de Zélia, a presença de Rita, Virgínia Rosa e Alzira Espíndola. Será um disco "pop, reggae e rap". O CD também será lançado pela Atração, gravadora de Wilson Souto, amigo desde a época do Lira Paulistana.Sobre o filme Cafundó, Assumpção não sabe qual papel fará. "Li que eu faria parte do elenco, mas conversei com Paulo Betti há uns três anos, não sei", conta.Para o show de amanhã, o músico interpreta composições de Pretrobrás, Por Que Eu Não Pensei Nisso Antes e músicas de Djavan, Jorge Mautner e Noel Rosa. Além disso, será acompanhado pelas Orquídeas.

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