MARINA MALHEIROS/ESTADAO
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Tavito: se fosse só por 'Casa no Campo', já seria imortal

Autor morto nesta terça (26) se notabilizou por 'Rua Ramalhete' e pela canção gravada por Elis Regina em 1972

Julio Maria, O Estado de S.Paulo

26 de fevereiro de 2019 | 19h55

Era tanta verdade que não precisaria mais do que duas músicas para que fizesse história. E foi bem mais do que isso. Tavito, o Luis Otávio de Melo Carvalho, começou como integrante do núcleo de mineiros do Clube da Esquina e esteve no primeiro time do legendário Som Imaginário, um grupo formado para acompanhar Milton Nascimento nos anos 70. Aos 71 anos, vítima de complicações por causa de um câncer na língua, Tavito se foi, ontem (26), como um grande.

Ele já seria imenso se não tivesse feito nada além do que suas duas maiores criações, Casa no Campo e Rua Ramalhete. A primeira, música sua para letra de Zé Rodrix, foi devidamente apropriada por Elis Regina em 1971, assim que a cantora sentiu a força de um hino representando uma vontade coletiva (e da própria) de se deixar a cidade grande e partir para o campo. Elis presidia o júri do 6º Festival Internacional da Canção, onde a música era apresentada. Seu melhor disco, o de 1972, daria o toque da imortalidade em Casa no Campo.

Rua Ramalhete, feita com Ney Azambuja, veio em 1979. Era agora seu primeiro disco solo e a canção era autobiográfica. “É um fenômeno adolescente pelo qual passei, pelo qual todos passamos. Fala da primeira paixão da vida com histórias reais. Falei mesmo aquilo no ouvido da menina, isso é verdade!”, contou em uma inspiradora entrevista dada à jornalista Debora Santilli no programa Cartão de Visita, na Record News. O que ele diz no ouvido da menina está no verso: “Eu vou falar no seu ouvido coisas que vão fazer você tremer dentro do vestido”.

Sobre a fase em que esteve no Som Imaginário, Tavito comenta: “A turma daquele tempo tinha mais ideais, nossas metas eram mais engajadas. Havia muito problema com censura. A gente era contestador mesmo... Eu vivi em uma espécie de céu.”

Conta ainda que parou de subir em palcos desde a morte de um irmão. “Ele era minha outra asa, o cara que me fazia voar. Fiquei decepcionado com tudo e sumi, fui fazer só meus jingles.” Até que o convidaram para participar de show, em 2003. Tavito viu que as pessoas choravam debruçadas no palco e sentiu que sua estrela ainda brilhava. 

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