Tânia Maria, um dos maiores nomes do jazz brasileiro

Exilada por força das circunstâncias desde o início da década de 1970, no Hemisfério Norte, a cantora compositora e pianista maranhense Tânia Maria passou 31 anos sem se apresentar no Brasil. Agora, dois anos depois de uma passagem memorável pelo Sesc Pompéia em duas noites de 2005, ela está de volta com um projeto inédito de piano e percussão. Ao lado do paulista Edmundo Carneiro (que ela chama de Mestre Carneiro), Tânia iniciará nesta quinta, 22, no Teatro Fecap, uma temporada de duas semanas. É um feito que jamais repetiu desde que se mudou para os Estados Unidos, de onde se projetou para o Primeiro Mundo como um dos maiores nomes do jazz brasileiro. Clássico suingado Funky Tamborim, um de seus clássicos suingados, tem lugar garantido no roteiro. "Obviamente não vou tocar só coisas desconhecidas, porque não quero fazer um concerto underground", adverte Tânia. "Vamos também criar uns temas na hora, baseados em ritmos como maracatu, oxalá, e também fazer com que o público saiba o que a gente diz lá fora em matéria de música cantada", Diz. "Venho da bossa nova, então gosto de harmonias bonitas, de uma certa doçura que essa música trouxe para nós e essa abertura que fez com que se tornasse talvez a única música do mundo que é cross-over. Meu mundo é jazzístico e o jazzista é um camarada ultra-orgulhoso, que não deixa entrar ninguém. Mas hoje você vai a um concerto de jazz e não tem um que resista a fazer uma bossinha. Isso é uma glória." Aqui, o nome de Tânia nem consta dos dicionários e enciclopédias de música popular. Encontrar uma discografia básica, nem pensar. Ela também não se preocupa muito com isso, e vem mais ao País como visitante do que como artista. Em catálogo nacional, há apenas um CD, Intimidade (EMI), de 2005. O primeiro, Apresentamos Tânia Maria (1969), foi relançado em 2002, mas há muito sumiu de circulação. Para ela, a reaproximação com o público brasileiro, "dentro de um quadro decente, bonito" é uma dádiva divina. Planos no Brasil Tânia tem planos de trabalhar com Ed Motta um de seus grandes admiradores no meio musical. Difícil é conciliar as concorridas agendas de ambos. Em outubro, ela retoma a parceria com o baixista Eddie Gomez e o baterista Stevie Gadd, para uma turnê mundial, que talvez inclua o Brasil. "Fizemos esse trio há 20 anos nos Estados Unidos, foi realmente uma coisa espetacular. E vou gravar um disco com eles", conta. Nos concertos que fará em São Paulo, Tânia traz uma experiência nova, que começou na Europa há seis meses, em que explora ainda mais a linguagem percussiva de seu estilo pianístico. Foi com essa vocação que ela conseguiu se destacar no reservado e exigente metiê jazzístico americano, explorando tão bem o scat singing com autoridade na fusão de samba, jazz e funk. "Não toco piano, eu batuco. Sou uma pianista rítmica e graças a Deus que levei isso para o exterior. Se fosse dar uma de Nina Simone teria quebrado a cara, porque ela tocava aquilo muito melhor do que eu. Agora esse suingue que tenho na mão esquerda, é meu, é isso aí que conquista, porque é uma coisa que eu aprendi na minha terra." Tânia Maria. Teatro Fecap (400 lug.). Av. Liberdade, 532, 0800-551902 e 3272-2277. 5.ª a sáb., 21 h; dom., 19 h. R$ 10 (5.ª) e R$ 30. Até 1.º/4

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