Tânia Malheiros, uma nova expressão do samba

Xangô da Mangueira, o mestre do partido alto, manda avisar: "Ela canta muito bem e isso eu gostaria que muita gente pudesse constatar." O veterano sambista faz as vezes de anfitrião de uma nova expressão do samba carioca, a cantora Tânia Malheiros. Ambos dividem o palco do Villagio Café hoje e amanhã. No repertório, só samba de raiz, daqueles que Tânia tem mostrado nas casas noturnas da revitalizada Lapa carioca há cerca de quatro anos. Além de jóias Guilherme de Brito, Nelson Cavaquinho, Wilson Moreira e Dona Ivone Lara, Tânia destaca dois belos tributos: O Samba É meu Dom (Wilson das Neves/Paulo César Pinheiro), que reverencia os grandes do gênero, e Brasil, Ciência e Arte (Cartola/Carlos Cachaça), que exalta o físico César Lates. "Para mim é uma honra cantar com Xangô da Mangueira. Ele que mostra um legítimo amor pelo samba e essa grande alegria de viver, aos 81 anos", elogia Tânia. Há dez anos ela desembarcava em São Paulo como jornalista. Trabalhou no Estado, Folha, O Globo e continua a se dedicar à profissão, da qual gosta muito. Agora canta pela primeira vez na cidade. "Acho que nasci cantora, sou filha de músico, só que não tinha estrutura para seguir a vida artística. Poucos sambistas conseguem viver só de música." Só agora está conseguindo conciliar a arte com o jornalismo, do qual tira seu sustento. Influenciada pelas grandes expressões femininas do samba - como Elizeth Cardoso, Clara Nunes, Elza Soares, Alcione, Beth Carvalho e Dona Ivone Lara -, Tânia está gravando o primeiro CD aos poucos. "Como diz aquele samba do Zeca Pagodinho, deixo a vida me levar", conclui, bem-humorada.

Agencia Estado,

06 de agosto de 2004 | 13h12

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