JF Diorio/Estadão
JF Diorio/Estadão

Tango e homenagem a Dominguinhos marcam segunda noite do Festival Internacional da Sanfona

Oswaldinho do Acordeon brincou sobre trauma do clássico 'Asa Branca'

João Paulo Carvalho, O Estado de S.Paulo

16 Julho 2016 | 00h39

JUAZEIRO - Para comemorar os 138 anos de Juazeiro, na Bahia, a segunda noite do Festival Internacional da Sanfona promoveu um show clássico sobre o versátil instrumento. Sem firula, quem abriu os trabalhos no Centro Cultural João Gilberto nesta sexta-feira, 15, data de aniversário da cidade, foi o mestre Oswaldinho do Acordeon.

Dono de um humor refinado, brincou o tempo todo com o público. Um dos maiores nomes nacionais da sanfona "revelou" seu trauma por Asa Branca, clássico de Luiz Gonzaga. "Tenho um certo medo de Asa Branca porque sou filho de sanfoneiro. Na infância, todos perguntavam para o meu pai se eu sabia tocar. Ele dizia que sim e me chamava para dedilhar Asa Branca para os amigos e a família toda. Fiquei traumatizado. Por isso, para me reconciliar com essa bela melodia, eu a regravei de uma maneira diferente", brincou antes de executar a canção. A declaração arrancou boas gargalhadas da plateia.

Oswaldinho toca sanfona de um jeito clássico. Sua técnica de fole beira a perfeição. O músico dedilha os baixos com maestria e equilibra as notas graves e agudas com uma doce voz. "Eu disse a vocês que faria um show curto. Pois, então, minha apresentação está quase no fim", disse em alto e bom som. Visivelmente debilitado, Oswaldinho tocou sentado, mas mostrou uma força surpreendente nas mãos. Algo digno dos bons sanfoneiros.

Na sequência, foi a vez de Mestrinho subir ao palco. O jovem sanfoneiro fez uma bela homenagem a Dominguinhos, seu grande mestre e ídolo. "Ele continua sendo minha inspiração. Meu mestre, que me ensinou tanto sobre a sanfona e a vida", disse antes de uma versão emocionante de Princesinha do Choro. Animado, Mestrinho mostrou um bom repertório próprio, mas foi com os clássicos da sanfona que ele ganhou a plateia. O melhor momento da sua performance animada foi em Pedras Que Cantam. Ex-integrante da banda de Dominguinhos, que morreu em 2013, Mestrinho se emocionou ai apresentar Em Minha Alma, música que compôs especialmente para ele. "Quero tocar uma canção para o meu mestre, o Dominguinhos. Ele que com toda a humildade do mundo me chamou para tocar ao seu lado. Tudo que existe de mais especial em minha alma está na melodia desta música. Vou homenagea-lo até o último dia da minha vida", afirmou.

O duo argentino Vanina Tagini e Gabriel Merlino foram os últimos a se apresentar. A dupla mostrou algumas canções regionais e encantaram pela elegância, característica marcante do tango argentino. Gabriel Merlino vem de uma outra escola da sanfona. Apesar da diferença sonora, soube prender a atenção do público com um vigor sonoro invejável. O casal até arriscou uma versão em portunhol de Chega de Saudade, de João Gilberto. O púlbico, claro, cantou em coro.

Mais festival. Sob a curadoria do cantor, sanfoneiro e compositor Targino Gondim e direção-geral de Celso de Carvalho, o evento celebra a sanfona em quatro dias de festa com oficinas, workshops, exposição, encontros e concertos musicais em shows abertos no Centro Cultural João Gilberto. O cantor cearense Fagner, que toca no sábado, 16, será a principal atração da mostra deste ano.

O festival também tem uma exposição de sanfonas, revelando ao público os diversos modelos do sofisticado instrumento. A mostra promove demonstrações de montagem, manutenção e afinação das sanfonas que, embora sejam robustas e pesadas, são bastante delicadas e exigem cuidados específicos.

* O REPÓRTER E O FOTÓGRAFO VIAJARAM A CONVITE DA ORGANIZAÇÃO

 

 

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