REUTERS/Pierre Albouy
REUTERS/Pierre Albouy

Tamino faz a fusão do pop com sua herança árabe

Com participação do baixista Colin Greenwood, do Radiohead, cantor belga-egípcio lança 1º disco, ‘Amir’

Pedro Rocha, ESPECIAL PARA O ESTADO

19 de dezembro de 2018 | 05h00

Não tinha como o jovem cantor Tamino Moharam Fouad se aventurar por outra área. Neto do famoso cantor egípcio Muharram Fouad, recebeu o nome de Tamino por conta da ópera A Flauta Mágica, de Wolfgang Amadeus Mozart. “Música é a minha paixão, é o que sei fazer, não há outra opção para mim”, diz o artista em entrevista ao Estado, por telefone. 

Aos 22 anos, o cantor belga-egípcio começa a ficar cada vez mais conhecido no mundo inteiro. Suas músicas já ultrapassam 10 milhões de reproduções nas plataformas online. No Brasil, seu disco de estreia, Amir, foi disponibilizado digitalmente no mês passado. Já começam a surgir, também, as primeiras comparações, com nomes como Jeff Buckley ou Thom Yorke. Ele não se importa, desde que não digam que ele é o “novo Jeff” ou o “novo Tom”. 

“Não tenho problema com essas comparações, acho que é algo muito humano comparar e reconhecer certas coisas de outros artistas em você, mas há duas maneiras de dizer algo”, ele acredita. “Se você diz que se alguém gosta de tal artista, pode também gostar do seu trabalho, isso é bom. Mas quando dizem que é o ‘novo artista tal’, é algo superficial.”

E superficial, aliás, é algo que Tamino não deseja ser. Apesar de flertar com a música pop, ele busca composições e letras fortes, que, para ele, surgem naturalmente. “As minhas influências são minhas próprias experiências. Quando escrevo, não sei exatamente sobre o que estou falando. Depois, olho para a música para descobrir de onde ela veio.”

Musicalmente, as maiores referências de Tamino são os artistas que estavam nos discos de sua mãe, de clássicos como os Beatles a muitos cantores árabes. “Sempre ouvi muitos tipos de música.” Por conta dessa influência árabe, o cantor busca, em seu trabalho, mostrar ao público que o país de onde ele vem tem uma cultura que vai além do Antigo Egito. No videoclipe da música Tummy, por exemplo, ele aparece como um homem que, todos os dias, acorda pintado como um deus egípcio. 

“Quando digo que venho do Egito, as pessoas pensam em pirâmides. Mas não é esse o Egito que influenciou o meu trabalho”, conta. “Com esse vídeo, quis fazer algo divertido, um clipe sobre você não poder fugir de quem você realmente é.”

No primeiro trabalho, Tamino já recebeu forte atenção internacional, inclusive do músico britânico Colin Greenwood, do Radiohead, com quem gravou uma parceria e já se apresentou em alguns shows. Daqui para a frente, Tamino espera ter uma carreira longeva, como muitos de seus ídolos, que vão de Picasso a Nick Cave. “Não quero apressar nada, os artistas que me inspiram foram criativos por toda a vida. Quero fazer arte sem compromisso.”

Mais conteúdo sobre:
Tamino Fouadmúsica

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.