Tambores da Serra faz dois shows em São Paulo

O grupo Tambores da Serra construiu seu DNA sonoro a partir da mescla de uma série de instrumentos percussivos, combinados com contrabaixo e violão. A cozinha musical vem dos instrumentos de escola de samba, como cuíca, surdo, repique e tambor, e dos instrumentos regionais, como tambor-onça e alfaia. Existe também uma fusão de ritmos, o que ajuda a banda a produzir uma musicalidade muito característica, sem ser folclórica. A experiência pode ser conferida hoje e amanhã no palco do Crowne Plaza. Por enquanto, esta é a única oportunidade de ouvi-los. "Estamos gravando um CD há alguns meses, para tentar uma parceria com alguma gravadora para lançá-lo", conta Pedro Calasso, fundador, percussionista e compositor da trupe. Eles querem que as apresentações em São Paulo sejam um pontapé para uma carreira duradoura na estrada. "A banda está forte mesmo há um ano e meio." Tambores da Serra foi fundado pelo percussionista em Visconde de Mauá, na Serra da Mantiqueira, em 2001. Daí a origem do nome. No início, o grupo, só percussivo, era formado por dez músicos e 5 dançarinas. Tudo no começo era meio informal, mas, ao longo da trajetória deles e com a inclusão do violão e do contrabaixo, o Tambores "foi ficando com mais cara de banda e menos cara de grupo", descreve Calasso. "O grupo foi condensando com o tempo." O músico chegou a arriscar uma carreira-solo no ano passado. Lançou CD e até fez shows. Mas percebeu que a melhor investida era mesmo a banda. Até hoje, o circuito de shows deles se restringiu a pequenos lugares em São Paulo e ao teatro que o fundador da banda mantém em Visconde de Mauá. Ele também levou sua trupe para se apresentar em uma escola da cidade, onde integra um projeto chamado Millenium Village, que promove o intercâmbio entre escolas públicas do Brasil, Alemanha e África do Sul. Batizou sua turma do curso de percussão, formada por 300 crianças, de Tambores da Serra Mirim. Por conta do projeto, três integrantes da banda se apresentaram na Alemanha em julho do ano passado. Para o show de São Paulo, além de Pedro Calasso (também voz), o Tambores da Serra reúne Marinaldo Marques (percussão, dança e poesia), Diego Sanches (percussão e dança), Luciano Camargo (percussão e dança), Luciano (baixo) e João Aly (violão). Eles trazem um repertório próprio, com 12 canções. "Tenho quase 400 composições", diz Calasso. Segundo ele, a banda se caracteriza pelo trabalho autoral, com base na linguagem do Brasil, e influências indígenas e africanas. "É uma MPB com influência de outros ritmos", analisa. "Costumamos defini-lo como afroindígenabrasileira, como se fosse uma única palavra mesmo." Tambores da Serra. Teatro Crowne Plaza. R. Frei Caneca, 1.360, 3289-0985. 3.ª e 4.ª, 21h. R$ 20. Estac.: R$ 8

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