Wilton Junior/Estadão
Wilton Junior/Estadão

System of a Down faz show previsível mas empolga plateia em SP

Um dia após apresentação no Rock in Rio, roteiro seguiu a velocidade da luz para cumprir tocar 29 músicas em pouco tempo

Luiz Fernando Toledo, O Estado de S. Paulo

26 de setembro de 2015 | 15h55

System of a Down é quase como um filme clássico: você sabe exatamente como começa, quem são os personagens, o que eles farão ao longo da trama e qual será o desfecho. Mas isto não impede que o acompanhe por duas horas. Duas vezes seguidas até.

Foi o que o quarteto americano deixou claro ao voltar ao Brasil neste ano com dois shows bem próximos - quinta-feira no Rock in Rio e sexta no Anhembi, em São Paulo. E voltaram para cá sem novidades, já que o último álbum foi lançado em 2005. Problema? Não para a arena lotada de fãs.

O show teve um leve atraso: começou por volta de 23h45, 15 minutos depois do previsto. As idas e vindas da chuva causaram dores de cabeça aos organizadores do palco, que ficou encharcado. Tal espera irritou alguns, já que o show da banda Deftones, que abriu a noite, havia se encerrado quase uma hora antes. No intervalo, a tentativa de não se molhar tanto com capas de plástico vendidas a R$ 10. Mas para quem aguardava na fila do lado de fora há pelo menos 24 horas, isto não fez a menor diferença.

O roteiro seguiu a velocidade da luz para cumprir algo quase impossível: executar 29 músicas em tão pouco tempo. O estilo quieto da banda ajudou: praticamente não há conversas e interações diretas com o público. Vez ou outra o vocalista Serj Tankian ou o guitarrista Daron Malakian arriscavam um "São Paulo" americanizado, quase imperceptível. Mas quase todo o set é passado sem interrupção. Para um ouvinte desavisado, fez até parecer que se tratava de uma só música de longa duração.

Assim como na edição do Rio, o espetáculo se inicia com o hino I-E-A-I-A-I-O, que já era cantado por pequenos grupos de fãs antes mesmo de os músicos subirem ao palco.

A sequência das guitarras pesadas e velozes parecia não ter fim: Suite-Pee, Attack, Prison Song, Know, Aerials, Soldier Side e B.Y.O.B. O set foi bastante parecido em ambos os shows, fechando também com a sequência Cigaro, Toxicity e Sugar.

Some isto ao fato de que todo fã de System parece ter decorado cada palavra da discografia de cinco álbuns. O resultado é uma espécie de encontro de una geração que hoje tem entre 20 e 30 anos e passou boa parte dos anos 2000 tentando acompanhar as letras absurdamente rápidas do System, "carinhosamente" apelidado de Soad.

Sem espaço para respiros, a passagem do grupo pelo Brasil foi mais do que cansativa. No melhor dos sentidos, é claro.

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