Suzano e Talvin Singh, um bom outro ruim

A última noite de Free Jazz em São Paulo foi aberta pelo percussionista Marcos Suzano. Tocando no palco New Directions, o das novas tendências mundiais, o carioca fez um show curto, de apenas 6 músicas. Tocou principalmente faixas de seu álbum solo, Flash. Acompanhado por Fernando Moura nos teclados, André Carneiro no baixo, Nilton Rodrigues no Trompete, Eduardo Neves no sax, Jovi Joviniano na percussão e Alisson Lima também na percussão, mostrou até onde pode-se explorar um simples pandeiro.Suzano, que engrandece com sua presença o trabalho dos principais artistas de nossa MPB, e que parecia não ter encontrado um direcionamento interessante para seu trabalho pessoal até então, fez um show impecável. Mereceu o carinho do pouco público que acompanhou o espetáculo. Destaque para Nilton Rodrigues, que sabe como poucos explorar a surdina em seu trompete. Suzano voltou para uma jam no final do show do produtor britânico, filho de indianos, Talvin Singh, que também se apresentou no palco New Directions na noite de ontem. Talvin, acompanhado pelos convidados especiais Rony Barrak, que tocou tabla libanesa e jewbay, dois instrumentos de percussão indianos, e Suoha Kheterpal na percussão, fez um show envolvente, mas irritante alguma vezes. Sua música, pelo menos a que está registrada em seus discos, é muito diferente da que apresentou no Brasil. Do trabalho eletrônico presente em participações com Björk, Massive Atack e Madonna, nada foi visto. Por aqui, preferiu realizar versões apenas percussivas para suas produções. Ele, que só toca se seu cabelo estiver desarrumado o suficiente, deve ter escondido os beats seqüênciados por sob sua rebelde madeixa. Que pena.

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