Susan Tedeski traz mais vitalidade ao blues

O blues é um território quase que exclusivamente masculino. Quando se fala sobre o tema, nomes como os de B.B. King, Buddy Guy e John Lee Hooker são uma unanimidade. As mulheres também têm representantes à altura, mas por vários contratempos não são lembradas, o que é uma vergonha já que a ala feminina tem feras como Ruth Brown, Koko Taylor, Etta James e o trio Saffire. Uma boa desculpa para o domínio masculino pode ser a falta de novas cantoras de blues, o que não acontece no time masculino. É neste vácuo que a cantora de 32 anos, nascida em Boston (EUA), Susan Tedeski entra. Ela acaba de lançar seu terceiro disco, Wait For Me, que tem como característica a fusão do blues e do rock. Susan, que é um misto de Bonnie Raitt e Melissa Etheridge, começou tocando em bares locais e logo foi descoberta pela gravadora local Tone Cool. Seu primeiro disco, Just Won?t Burn, foi aclamado como um dos melhores de 2000 e indicado ao Grammy de revelação no mesmo ano. Ela não levou, mas a indicação serviu para que o primeiro registro em CD (Better Days), até então inédito, fosse lançado.O novo disco é um pouco mais calmo que o anterior. Influenciada por Bonnie Raitt e Janis Joplin, a cantora e guitarrista preferiu um disco mais acessível. O ouvinte percebe isso logo na primeira faixa, Alone. Seguindo a trilha aberta pelos novatos Jonny Lang e Jeff Healey, a mistura do blues e do rock está explícita nas canções Until I Found You e Hampmotized, esta com um órgão de fundo.Apenas duas músicas não foram compostas por Susan. Curiosamente, as duas interpretações mais country do álbum. Gonna Move, de Paul Pena e Don?t Think Twice, It?s all Right, de Bob Dylan. Susan Tedeski arrisca também nas baladas. Em Wrapped In The Arms, acompanhada apenas do piano, e em Wait For Me. O blues ?de verdade? aparece em Blues On A Holiday, com violão e o mais blues dos instrumentos, a gaita. Para terminar, a cantora faz um tributo a um cantor que foi um dos primeiros a misturar o rock com o blues, Chuck Berry. Fell In Love poderia ter sido um hit nos anos 50. Além da guitarra imitando Berry, a música tem a participação especial do pianista Johnnie Johnson, que tocou com o setentão.Susan Tedeski é uma boa surpresa. Com muita atitude e uma voz potente, ela não pode ser compara com as divas do blues. Mas está claro, em suas composições, que ela bebeu em várias fontes, o que é muito saudável para qualquer músico. O CD não tem previsão de lançamento no País.

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