Suricato testa a existência fora da TV com show em São Paulo

Banda que participou do programa ‘SuperStar’ quer provar que pode trazer novidades ao mercado musical do País

Pedro Antunes, O Estado de S. Paulo

07 Março 2015 | 03h00

 

Tudo pode ser dividido em um antes e depois, como naqueles comerciais de produtos miraculosos para emagrecer, por exemplo. O último show da banda Suricato, antes da participação no programa SuperStar, da TV Globo, foi para uma plateia formada por 30 pessoas em numa praça de alimentação de shopping no subúrbio do Rio mais interessadas em matar a fome do que ouvir o que Rodrigo Suricato e companhia tinham para mostrar. Já a performance mais recente da trupe foi diante de um público consideravelmente maior – e mais interessado –, no festival Planeta Atlântida, no Rio Grande do Sul. A banda que se apresenta neste sábado, 7, em São Paulo, no Cine Joia, quer manter a segunda imagem por muito mais tempo, mas sabe que, para isso, precisará provar competência e competitividade em um mercado tão acirrado do pop rock nacional. 

O show na casa considerada lar dos indies paulistanos marca o lançamento de Sol-Te em São Paulo, o segundo álbum do Suricato, mas o primeiro após a participação no programa da Globo. A atração, que colocava bandas e artistas para duelar, exibida entre abril e maio de 2014, foi responsável por catapultar a popularidade dos rapazes a níveis nacionais, mesmo que eles tenham ficado em quarto lugar na competição. 

A formação do grupo também mudou desde o lançamento de Pra Sempre Primavera, assim como a sonoridade deles. O primeiro álbum, de 2012, era tocado em power trio e com os dois pés fincados no rock. Ao apertar o play em Sol-Te, contudo, percebe-se a predominância do violão, canções mais intimistas e cheias de espaços para que os versos de Rodrigo Suricato possam encher de luz até as manhãs mais nubladas e cinzas 

Conta o vocalista e líder da banda – formado por Gui Schwab (violão e gaita), Pompeo Pelosie (bateria) e Raphael Romano (baixo e percussão) –, que o novo direcionamento sonoro do Suricato se deu um ano antes da participação no SuperStar e foi motivada por um redescobrimento completo. Depois de integrar bandas de artistas como Erasmo Carlos, Moska e do programa global The Voice Brasil, Rodrigo decidiu dar mais destaque à função de compositor. Na vida pessoal, vivia momentos tão ensolarados quanto aqueles recriados nos versos de Sol-Te. Um relacionamento de dez anos chegou ao fim, mas outro teve início, forte. Mudou-se com a esposa para o Recreio dos Bandeirantes, aproximou-se da natureza. Aprendeu a conviver com o silêncio. “Aproveitando isso, comecei a tocar mais violão do que guitarra, passei a ler mais, escrever mais”, relembra Suricato. “O disco todo nasceu disso. O texto que está ali é completamente sobre o amor. É bacana ver como as coisas surgem. Estou completamente apaixonado.” O que era para ser um projeto solo dele tomou forma e voltou a ser um disco de banda. 

O folk mostrado no programa, autoral ou em versões como de Come Together, dos Beatles, chamou a atenção dos jurados do programa, Ivete Sangalo, Fábio Júnior e Dinho Ouro Preto, assim como o público telespectador. Embora o Suricato tenha sido menos votado do que a banda Malta, a grande vencedora do prêmio, o grupo mostrou uma sonoridade nova para o pop rock radiofônico brasileiro. “Acho até que a gente chegou longe demais”, diz Suricato, divertindo-se. “Uma banda que sai de um reality show é um prato cheio para a crítica”, ele analisa. Diferentemente da Malta, contudo, o Suricato conseguiu garantir avaliações positivas, mesmo que não tenha recebido tanto apoio popular quanto o grupo vitorioso do programa. “Tenho milhões de teorias para tentar entender porque isso acontece”, comenta ele, sobre bandas e artistas que participam de programas de televisão e somem no mercado. “Mas, para a gente, é maravilhoso. É bom saber que um crítico escutou nosso disco com desconfiança e se apaixonou pelo nosso som. Estamos vivendo um momento muito especial”, completa. 

Suricato afirma ainda não pensar em um próximo disco, mas sabe que talvez o novo trabalho não volte a apontar para o intimismo do violão. “Gosto de dizer que estamos folk”, conta o vocalista Suricato, ao explicar a nova fase do grupo. Mesmo que tenha sido o estilo em parte responsável por fazer com que a banda deixasse as apresentações em praças de alimentação no subúrbio e passasse a tocar em festivais. “Acho que vamos querer nos redescobrir. Testar outras coisas. Não vejo o Suricato preso a rótulos”, conclui. 

Assista ao clipe de Trem, canção do disco Sol-Te: 

SERVIÇO: 

Cine Joia. Praça Carlos Gomes, 82, metrô Liberdade. 3231-3705. Hoje, a partir das 22 h (show, à 0h30). De R$ 20 a R$ 50. 

 

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