Superastro do rap Kanye West inventa o hip-hop espacial

Rapper chega ao Brasil em outubro com 50 toneladas de equipamento para seu novo show 'Glow in the Dark'

Jotabê Medeiros, enviado especial,

06 de agosto de 2008 | 18h19

E Kanye West inventou o hip-hop sideral, o Dark Side of the Moon do rap. Glow in the Dark, o novo show do megalomaníaco astro do hip-hop, é definido por ele como "uma missão para trazer a criatividade de volta à Terra". Essa é a historinha que dá o mote à space opera que o cantor criou, e que está a caminho do Brasil para o TIM Festival, em outubro. Pense nas mais manjadas experiências de ficção científica, de Jornada nas Estrelas a O Homem que Caiu na Terra. Misture com todos os clichês do gênero, o principal deles um computador-espaçonave que dá conselhos ao seu tripulante, aqui chamado Jane (Hal, o computador de 2001, Uma Odisséia no Espaço, deve estar se revirando no cemitério de computadores; aceleração no hiperespaço). Outros: pin ups que fazem strip tease e simulam sexo virtual, luas que explodem, gêiseres de fogo, explosões e muito crepúsculo espacial. Até um dinossauro apareceu (no espaço? sério isso?) para engolir o astro do rap megalô 80 mas logo ele escapou, rasgando o ventre da criatura e ressurgindo no palco. A reportagem do Estado assistiu a Glow in the Dark na quinta fila do Madison Square Garden na terça-feira à noite (é um espetáculo totalmente diferente do que ele apresentou no Lollapalooza Festival, no domingo à noite). É esse que vem ao Brasil - maior do que o do Daft Punk, há dois anos. O show tem os efeitos visuais mais mirabolantes, tudo em cores laranja, vermelho, púrpura e neon rosa. Cortinas de telões superpostos (que entretanto estão integrados em imagem e efeitos), som surround. É talvez o mais high tec dos shows que irão ao Brasil este ano. São 50 toneladas de equipamento, segundo a organização do TIM Festival.  No final de tudo, a nave-mãe Jane diz a Kanye: "Nós precisamos do poder do maior astro do universo, Kanye. Nós precisamos de você". Eu podia ter dormido sem essa... Mas piora depois: West, depois de uma longa lição de moral no público, termina dizendo que tudo que ele precisa é dele mesmo, Kanye. Milionário, o hip-hop americano pode se dar ao luxo de excentricidades como essa - talvez, hoje, seja um dos poucos gêneros a ir tão longe, já que o rock está meio pobrinho ultimamente. Foi uma noite entre manos. Começou ali pelas 19h com um rapper meia-boca chamado Consequence. Depois virou coisa de responsa: Lupe Fiasco veio com sua banda e seus MCs, e é um rapper cheio de groove, jazzy as vezes. Ele chama para fazer uma base um cantor branquelo que faz o gênero Justin Timberlake e eles arrasam em duas canções, a primeira em cima de Daydreamin’. O cara tem estilo. Depois foi a vez de Pharrel Williams e seu combo N.E.R.D. Muitos decibéis, pouca criatividade. Finalmente veio Kanye, com seus músicos todos vestindo as roupas de sua fantasia espacial - capacetes que lembram os dos garotos do Daft Punk, malhas e ombreiras geométricas. O Madison Square Garden quase veio abaixo - o público dançou freneticamente até na hora da verborragia típica de Kayne, que faz longo discurso no final. Kanye abriu o show com Good Morning, seguida por I Wonder, Heard 'Em Say, Through the Wire, Champion, Get 'Em High, Diamonds from Sierra Leone e Can't Tell Me Nothing. O set list do rapper contou ainda com Flashing Lights, Spaceship, All Falls Down, Gold Digger, Good Life, Jesus Walks, Hey, Mama, Don't Stop Believin' (da banda Journey), Stronger, Homecoming e, para finalizar, Touch the Sky.

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