Ana Branco/Divulgação
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Superada a crise, Prêmio Sharp deve voltar-se às inovações

Aos 25 anos, o formato da cerimônia tornou-se previsíviel e precisa ser revista

Renato Vieira, O Estado de S. Paulo

14 de abril de 2014 | 23h00

A iniciativa de Zé Maurício Machline, herdeiro da Sharp que concebeu o atual Prêmio da Música Brasileira, é louvável. O evento, iniciado em 1988, já teve o ecletismo como característica em sua primeira edição. Nomes de diversos estilos como Dori Caymmi, Legião Urbana e Chiclete com Banana foram por ele reconhecidos.

O papel do prêmio, mais que sagrar artistas como vencedores, foi fornecer um painel da música nacional, dando troféus a arranjadores, intérpretes e revelações. Quesitos que não eram contemplados pelo Prêmio Shell de Música, que entre 1981 e 2007 só dava a láurea a compositores.

Mas nem tudo foi canção nessa trajetória. Com a crise na Sharp após a morte do patriarca Matias Machline e sem patrocínio, Maurício não realizou a cerimônia de 1999, entregando os prêmios diretamente aos artistas, e suspendeu o prêmio nos dois anos seguintes. No mesmo período, a pirataria já assolava o mercado e implodia o mercado fonográfico, cada vez mais recorrendo a Acústicos e projetos ao vivo. O dinheiro que sustentava a música começou a ficar escasso, o futuro da música como negócio e linguagem era nebuloso e o evento foi vitimado por esses fatores.

A ascensão de um novo mercado fonográfico independente, com a adesão de nomes como Maria Bethânia, deu novo vigor ao prêmio, que retornou em 2002. Realizado ininterruptamente desde então -- sendo que em 2009, sem patrocínio, foi bancado pelo próprio Maurício --, continua a homenagear artistas em suas edições e permite aos cantores que participam das celebrações uma recriação em cima das obras que celebrizaram. Um dos casos mais notáveis aconteceu em 2006, quando Lulu Santos transformou Deixa Isso pra Lá, sucesso de Jair Rodrigues, em funk.

Mas agora, com uma iminente 25ª edição, é hora de repensar o formato da cerimônia. A fórmula desta e de outras premiações do gênero ficou previsível. Porém, há uma luz. Em vez de homenagear um artista, pela primeira vez o evento celebra um gênero: o samba. Resta aguardar se inovações mais ousadas virão.

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