Tiago Queiroz/Estadão
Tiago Queiroz/Estadão

Sucesso na internet, Jão vai lançar o primeiro disco

Cantor de 23 anos venceu prêmio na categoria para iniciantes da MTV

Pedro Rocha  , Especial para o Estado

01 Junho 2018 | 06h00

Em pouco mais de um ano, o cantor paulista Jão, de apenas 23 anos, passou de nome independente do YouTube à aposta de uma grande gravadora. Já faz shows por todo o Brasil e prepara também o seu álbum de estreia. Antes de lançar o primeiro disco, porém, Jão aproveita o sucesso do single Imaturo, cujo clipe já passa dos 13 milhões de visualizações no YouTube, e lança nesta sexta-feira, 1.º, um EP com versões acústicas das músicas já lançadas, e ainda a inédita Aqui

Apesar de todas as músicas até agora seguirem um estilo eletrônico, Jão afirma ser natural a apresentação acústica. “Transito por esses dois mundos e queria fazer algo mais orgânico, com performance de voz e mais instrumentos”, diz ao Estado. O EP Primeiro Acústico já está disponível nas plataformas digitais.

Jão, ou João Romania, nasceu e cresceu em Américo Brasiliense, cidade com pouco mais de 30 mil habitantes próxima à Araraquara, no interior de São Paulo. “Era uma criança gordinha que não gostava de esporte, mas sim de ficar no quarto ouvindo música”, revela. Na adolescência, pensou em seguir a carreira de cantor, mas não encontrou referências de bandas ou produtores em sua cidade.

Foi então que, sozinho, vendo vídeos na internet, aprendeu a tocar violão e teclado, e aprendeu a mexer com softwares de produção. Para seguir a carreira, Jão quis se mudar para São Paulo. Aos 17 anos, prestou vestibular, e passou, para o curso de Publicidade da Universidade de São Paulo.

“Meu quarto era a entrada da casa, na rua da Consolação.” A partir daí, enquanto estudava, começou a “perseguir” DJs e produtores que atuavam na capital, na tentativa de ser descoberto. Além disso, a experiência com vídeo no curso o ajudou na hora de gravar e publicar seus próprios vídeos, de covers, na internet. “Foi a porta de entrada para as pessoas me conhecerem.”

Já no final de 2016, um dos DJs respondeu para ele. Juntos, ele e Pedrowl gravaram e lançaram a música independente Dança Pra Mim. O sucesso nas redes sociais fez Jão ser descoberto pela Universal Music. Com a gravadora, já lançou, nos últimos meses, três singles, Ressaca, Álcool e Imaturo.

O sucesso, inclusive, surpreendeu até mesmo o selo. O plano inicial era a preparação de um EP com músicas inéditas, mas, com a boa repercussão das faixas lançadas, que já somam quase 20 milhões de visualizações nos clipes no YouTube e renderam a Jão mais de 500 ouvintes mensais no Spotify, optou-se por gravar já o álbum de estreia.

“Estou orgulhoso da forma que o álbum tem tomado, com algumas parcerias com pessoas que eu sempre admirei”, revela o cantor, que afirma que vai tratar de seus medos, amores e porres no trabalho. “Hoje em dia, não faltam músicas sobre aceitação e confiança. Meu álbum, porém, vai ser sobre sentimentos menos bonitos, dos quais nem sempre temos orgulho, mas que existem.”

Jão não tem vergonha de assumir o lado sertanejo e até mesmo brega de suas canções pop, como Imaturo. “Sempre levo músicas de Simone e Simaria para o estúdio. Gosto das batidas e de como elas encaram os sentimentos, acho muito genuíno”, afirma. “O pop no Brasil não pode se resumir a ser o mesmo lá de fora. Não rola comercialmente e é um desperdício de coisas muito legais que a gente tem.”

Com o sucesso, ele já compõe para outros artistas, como o grupo Rouge. O reconhecimento já vem também em forma de prêmios. Na mais nova premiação da MTV Brasil, MIAW, realizada na semana passada, bateu nomes como IZA e Baco Exu do Blues na categoria para iniciantes #Prestatenção.

Depois de estrear nos palcos profissionais em agosto do ano passado, Jão vem agora de uma série de shows esgotados em várias cidades do Brasil, que serão retomados após o lançamento do álbum. “Quando vejo pessoas cantando minhas músicas, é surpreendente, fico em êxtase.” Apesar do pouco tempo de estrada, o cantor já tem fãs fiéis, com quem mantém contato nas redes sociais. Os maiores, porém, continuam sendo os pais. “Eles mostram meu trabalho para todo mundo. Minha mãe está em grupos e até segue os fãs-clubes nas redes sociais.” 

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