Stones mostram seu universo em eterna expansão

Pela teoria científica do Big Bang, de Edwin Hubble, o universo estaria constantemente em expansão. E, portanto, não mais poderia ser considerado infinito - o que pode parecer quase um contrasenso, para um leigo. Os Rolling Stones estão de volta com um novo disco. O nome é Bigger Bang (EMI Music), título que remete a um Big Bang ainda maior do que aquele que teria gerado o universo em expansão, ocorrido 15 bilhões de anos atrás. O disco é inteiramente feito de músicas inéditas, o primeiro álbum de estúdio da maior banda de rock do planeta desde 1997, quando lançaram Bridges to Babylon.O disco, que o portal Estadao.com acaba de ouvir, não é uma nova explosão original, mas é rock em estado puro. Tem 16 canções, todas assinadas por Keith Richards e Mick Jagger - a banda vem ao Brasil com o novo show e toca no dia 18 de fevereiro na Praia de Copacabana. A produção do disco é de Don Was e The Glimmer Twins.O álbum, o 22.º disco de estúdio dos Stones, abre com pau puro, em Rough Justice. Os solos econômicos, malemolentes, e sempre libidinosos de Keith Richards dominam a cena. Na balada acústica Streets of Love, a gente sente de novo a pegada irresistível do clássico Wild Horses. Coisa fina.Back of My Hand é um blues do Delta do Mississippi indolente, mal tocado, tirado diretamente de uma costela de John Lee Hooker. A embalar a jam session, a gaitinha de Mick Jagger. Pop derramado, She Saw Me Coming parece mais digna de figurar num disco-solo de Mick ou de Richards, não tem substância para estar num disco dos Stones. Biggest Mistake, pintada com cores country, dizem as más-línguas, parece ter sido escrita para o objeto de uma pisada na bola homérica de Jagger. Sugerem que foi feita para Luciana Gimenez. Mas, se as interpretações forem abertas, outra canção, Oh No, Not You Again também se enquadra nessa categoria - essa última dizem que é para Jerry Hall, a ex-mulher de Jagger, que o esfolou nos tribunais. ?Oh não!?, Jagger uiva. ?Não você de novo, ferrando com a minha vida. Foi ruim da primeira vez. Melhor seguir meu próprio conselho?.Imagine um senhor de 61 anos cantando ?Come on honey, bare your breasts and make me feel at home? (Ora, vamos, docinho, desnude seus melões e me faça sentir em casa de novo)? Pois é o que você ouvirá em This Place Is Empty, com o guitarrista Keith Richards nos vocais (ele ainda canta Infamy, a última do álbum).O disco já vem embrulhado em polêmica. A letra de Sweet Neo Con (Doce Neoconservador), embora sem citar nomes, é endereçada a George W. Bush. ?You call yourself a christian, I call you a hypocrite/You call yourself a patriot, well I think you´re full of shit? (?Você chama a si de cristão, eu te chamo de hipócrita/ Você se declara patriota, bem, eu acho que você está cheio de merda?), afirma a música. E continua: ?How come you?re so wrong/My sweet neo con?/Where?s the money gone/In the Pentagon?? (?Como você pode estar tão errado/Meu doce neoconservador?/Para onde foi o dinheiro?/Para o Pentágono??).A canção causou apreensão, mas não em Mick Jagger, que declarou ao NME: ?É uma canção direta. Keith disse: Não é de fato metafórica. Acho que ele está um pouco preocupado porque vive nos Estados Unidos. Mas eu não vivo?, afirmou o cantor. Ao Boston Globe, no entanto, ele foi precavido: ?Mas eu não sou anti-americano. Amo a cultura americana, a América e sua história?.Oh, No, Not You Again e Driving too Fast trazem o rock?n?roll de volta à ordem do dia. Pesada, com aquelas pausas apimentadas pela batida seca e jazzística de Charlie Watts, vai esquentar os pés dos incautos nas areias de Copacabana, em fevereiro.Muita gente já vem comparando esse disco a Exile on Main Street, de 1972. Mas Mick Jagger e Keith Richards preferem que seja comparado a Some Girls, de 1978. Parece justo, especialmente se comparados os temas.

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