Leonardo Soares/AE
Leonardo Soares/AE

Stone Temple Pilots mescla clássicos e músicas novas em São Paulo

No palco do Via Funchal, a banda mostrou que a ressurreição não é apenas discurso

Luiz Raatz, Estadão.com.br

10 de dezembro de 2010 | 01h48

As camisas de flanela xadrez saíram do armário para, em um Via Funchal razoavelmente lotado, acompanharem o primeiro show do Stone Temple Pilots no Brasil, na noite desta quinta-feira, 9. No show em São Paulo, o grupo mostrou entrosamento e carisma, mas sofreu com a má qualidade do som. O vocalista Scott Weiland interagiu pouco com o público, que levantou em Plush, talvez a canção mais conhecida da banda no Brasil.

 

Embora não sejam de Seattle, mas da Califórnia, Scott Weiland e sua turma surgiram para o rock após o estouro do grunge nos anos 1990.

Nos EUA, a banda conta com a boa receptividade do público, mas sempre sofreu com os críticos, que a acusam – injustamente, diga-se - de surfar na onda de Nirvana , Pearl Jam e cia. Mais de 18 anos depois do disco de estreia, Core, e após ter encerrado suas atividades entre 2002 e 2007, o grupo voltou à ativa em 2008.

 

Neste ano, lançou o disco Stone Temple Pilots , que concorre ao Grammy de melhor album de hard rock com outros velhos companheiros dos anos 1990, como o Soundgarden e o Alice in Chains, além do Them Crooked Voltures, projeto paralelo do Foo Fighter Dave Ghrol, ex-baterista do Nirvana.

 

No palco, a banda mostra que a ressurreição não é apenas discurso. Apesar dos notórios problemas com as drogas, que deixa o vocalista com a aparência de quem acabou de sair da reabilitação, Weiland faz seu trabalho nos vocais com competência. Os outros três integrantes do grupo, os irmãos Robert (baixo) e Dean DeLeo (guitarra) e o baterista Eric Kratz, também mostram estar afiadíssimos.

 

 

O show. Contrastando com as camisas xadrezes da plateia, Weiland subiu ao palco de terno e gravata. Na música de abertura, Crackerman, cantou com um megafone. Volta e meia distribuía dancinhas pelo palco, em passos que lembravam ora Michael Jackson, ora Axl Rose. Se comunicou pouco com a plateia, sempre em inglês, para apresentar uma ou outra música

 

Robert DeLeo tem bastante presença de palco. O baixista tentou ser simpático, arriscando o tradicionai "obrigado" e distribuindo palhetas para a galera. Nos momentos mais empolgantes, tocou no meio do pessoal da pista vip. Dean, o guitarrista, sofreu bastante com a qualidade do som. Seus bons solos estavam inaudíveis na primeira metade do show. Na parte final, arriscou improvisações de um rock meio bossa-nova entre uma canção e outra.

 

O repertório mesclou músicas dos álbuns mais clássicos, como Core (1992) e Purple (1994), com algumas canções do disco novo. Destas, a melhor é Hucleberry Crumble, bastante melódica e dançante. Big Empty, canção de Purple que esteve na trilha do obscuro filme O Corvo, com Brandon Lee, foi embalada pelos isqueiros acesos na plateia.

 

O ápice do show, claro, foi a música mais conhecida. "Essa canção se chama... Plush". Weiland nem precisava fazer o suspense. Àquela altura, com a qualidade do som um pouco melhor, ficou fácil. Todo mundo cantou junto. Ainda sobrou tempo para um cover do Led Zepelin (Dancing Day) e para duas músicas no biz. No final, aplausos da plateia, e mais um "obrigado, São Paulo" de Robert.

A banda encerra sua passagem pelo Brasil no dia 11, no Circo Voador, Rio de Janeiro. Depois, segue para o Peru, Colômbia e Austrália.

 

 

Setlist:

Crackerman

Wicked Garden

Vasoline

Heaven and Hot Rods

Between the Lines

Hickory Dichotomy

Still Remains

Cinnamon

Big Empty

Dancing Days

Silvergun Superman

Plush

Interstate Love Song

Huckleberry Crumble

Down

Sex Type Thing

Biz:

Dead and Bloated

Tripping on a Hole in a Paper Heart

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