Stockhausen ataca piratas do Napster

Frank Zappa, Yoko Ono, Kraftwerk, Miles Davis, Joy Division, John Lennon, Rogério Duprat, Pink Floyd, Beatles: o leque de artistas e conceitos de diferentes países alcançados pela influência do compositor alemão Karlheinz Stockhausen é enorme. É esse mito da música contemporânea que desembarca em São Paulo em 29 e 30 de junho para concertos no novíssimo evento multimídia Carlton Arts, no Moinho. Em entrevista exclusiva ao Estado na terça-feira, por fax, o compositor alemão disse lembrar-se de uma "maravilhosa macumba" da última vez que esteve aqui, em 1988.Stockhausen também fez uma revelação surpreendente: ele não recusou trabalhar com os Beatles no disco Sargeant Peppers, nos anos 60. "Lennon me procurou para fazer o arranjo de um concerto com minha música e a música do seu grupo", contou o compositor. "Mas então seus empresários viram problemas - eu tinha concordado em trabalhar com ele".Stockhausen disse que escolheu as peças Hymnem I-II/III-IV para o Carlton Arts por que "Hymnem é música eletrônica que as pessoas podem ouvir nas condições acústicas noturnas". Ácido crítico do que chama de ´junk music´, o pop internacional, ele mostrou-se mais tolerante em relação à música techno dos clubes. " Os músicos do ´techno´ e de pop eletrônico estão lentamente entendendo a importância da composição sonora" afirmou.Segundo Stockhausen, não se deve temer a inserção industrial de uma produção artística. " Todo tipo de intenção espiritual conduzida em direção à mais alta qualidade é importante, com ou sem a indústria". O compositor também comentou a briga entre a indústria musical e os sistemas de trocas de música pela Internet, o Napster, e parece posicionar-se do lado do direito autoral. "Todo tipo de exploração financeira e roubo deve desaparecer".O músico enviou cópia do discurso lido recentemente na Suécia, quando recebeu o Polar Prize, um dos mais importantes da música contemporânea européia.

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