Stephen Chernin/Reuters
Stephen Chernin/Reuters

Stevie Wonder traz genialidade ao Rock In Rio

Cantor soul promete transformar a Cidade do Rock em um bailão nesta quinta-feira

Roberto Nascimento - ENVIADO ESPECIAL/RIO - O Estado de S.Paulo,

28 de setembro de 2011 | 23h09

Quem ainda não se animou com a programação pouco arriscada do Rock in Rio deve assistir hoje, in loco ou pela TV, a sequência de shows mais palatável do festival. A começar pela apresentação de Stevland Hardaway Morris, mais conhecido como Stevie Wonder, o grande leão do festival. Ele seria o grande leão em qualquer outro contexto, pois em termos de genialidade e impacto cultural, só mede forças com Paul McCartney. E para sorte do público, com as mudanças de horário no Palco Mundo, o ídolo ganhou 1 hora a mais de show, de 1h10 às 3h30.

É fato que o astro já encerrou sua produção de obras que entraram para a história do pop, mas sua voz continua impecável aos 61 anos e, mesmo que seja marcado por hits que não pintam um panorama completo de seu gênio, o show deve transformar a Cidade do Rock em um bailão de cem mil hoje à noite.

Não que os outros dias não tenham dado ao público motivos para sair do chão, como diria Ivete. Mas, quando se trata de balanço, metal é metal, pop é pop e o soul reina soberano. A trinca liderada por Stevie tem o suingue como fio de narrativa. Além do mestre, Jamiroquai e a incensada Janelle Monáe - que esteve aqui em janeiro, quando abriu para Amy Winehouse e a deixou na poeira - trazem o soul a Jacarepaguá.

Obra conceitual "afrofuturista", com uma narrativa cinematográfica embutida, o disco de Janelle, The ArchAndroid, foi presença constante em listas de melhores do ano passado. Mas mesmo quem critica suas ambições conceituais há de concordar que Janelle é um furacão quando sobe ao palco. Trajando smoking e um penteado invocado, deu o sangue quando veio à Arena Anhembi e sua história de amor à la Fritz Lang, que conduz a progressão do show, ficou secundária ao seu virtuosismo como cantora e dançarina.

Já o cantor Jay Kay, líder do Jamiroquai, deixou a desejar na última vinda ao País, para o festival Natura Nós de 2010. Acontece que o acid disco de Jay Kay há tempos não é novidade. E quando é tocado ao vivo tem a sonolência de um time que toca para cumprir tabela, ou no caso da banda, garantir o sustento. Mesmo assim, Virtual Insanity e Space Cowboys devem garantir um aperitivo para Stevie Wonder.

No meio dos três está a cantora pop Ke$ha, talvez para garantir a rentabilidade jovem, talvez porque em Tik Tok, seu maior hit, Ke$ha ataque de rapper. Embora tachada de sub Lady Gaga, sub Katy Perry, Ke$ha não é de se subestimar e será interessante comparar a vivacidade de seu show com os de Katy Perry e Rihanna na primeira noite, pois o que se vê no YouTube é que Ke$ha leva mais jeito para interpretar seus hits ao vivo.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.