Steve Tyler: balança, mas não cai

O que de fato aconteceu com o rockstar que quase deixou o Aerosmith, às vésperas de vir ao Brasil

15 de maio de 2010 | 05h00

Steven Tyler, o vocalista  da bandaFoto: Win McNamee/Reuters

 

Jotabê Medeiros - O Estado de S. Paulo

 

SÃO PAULO -  Foi por pouco. Quase que a gente nunca mais teria a chance de ver no palco um dos grandes combos de hard rock do planeta, o grupo norte-americano Aerosmith. Em dezembro, após uma pausa na turnê, o vocalista Steve Tyler revelou que sua dependência química o impossibilitava de continuar. Internou-se numa clínica de reabilitação - até aí, normal, porque não seria a primeira vez. Mas Tyler também deu entrevistas dizendo que seus planos para o futuro incluíam uma nova banda.

 

Pânico no Aeroforce One: notícias sobre a banda recrutando um novo cantor alarmaram os fãs. Mas eis que eles fizeram uma longa reunião, conversaram, e um debochado Tyler voltou à cena dizendo que, sim, tinham feitos testes para um novo cantor, e ele tinha sido o escolhido. O baixista Tom Hamilton falou ao Estado sobre todo o imbróglio, e sobre a volta da banda que nunca deixou de ser - e que toca no próximo dia 29 no Parque Antártica, encerrando o semestre de megashows.

 

Como foi tocar em Abu Dabi no final do ano?

Foi insano. Nem em meus mais remotos sonhos eu imaginaria tocar num lugar como aquele. Foi uma experiência cool, estávamos tocando como parte do evento da corrida de Fórmula 1. A loucura era que tudo era novinho: o hotel em que nos hospedamos estava sendo inaugurado, o lugar onde tocaríamos cheirava à tinta. A espetacularidade daquilo tudo, a arquitetura. O pior é que a gente pensou que aquele seria o último show da banda...

 

Por causa do anúncio de que Steve Tyler deixaria o grupo?

O ano passado foi um ano de batalhas. Todo mundo ficou meio machucado com as coisas que aconteceram, foi difícil. Mas eu, bem no íntimo, tinha certeza de que aquele não seria nosso último show e que o Aerosmith continuaria por muito tempo ainda.

 

É verdade que vocês chegaram a fazer audições para escolher um novo vocalista?

Nunca pensamos em procurar alguém para substituir Steve. Pensávamos em algo novo, nunca esteve em nossa cabeça continuar como se nada tivesse acontecido. Era mais uma espécie de side project que poderia ter acontecido. Quando Steve decidiu, em dezembro, que ia colocar uma carreira-solo na estrada, foi o que nos ocorreu. Nada mais do que disserem por aí é correto.

 

Você sabe, Michael Jackson morreu justamente por causa de uma dependência de analgésicos e anestésicos, justamente isso que o Steve Tyler andava consumindo. Quando isso acontece com uma pessoa tão próxima, como se deve comportar um amigo?

A coisa mais certa a fazer é deixar que o seu amigo saiba que você o ama, mas que não vai permitir que a autodestruição continue. O caso de Michael Jackson, veja, eu não sou médico, mas eu tenho a impressão que ele usava uma larga combinação de medicamentos. Quando eu soube quanto era, fiquei alarmado, porque tinha certeza de que ele estava pondo em risco a sua vida. E havia um médico que, em vez de alertá-lo, estava ajudando-o a se destruir.

 

No caso de Michael, os amigos e a família foram se distanciando. Isso também colabora?

Quando isso acontece num círculo muito próximo, muitas pessoas tentam fazer o cara parar. Mas aí, quando você se dá conta de que isso não vai acontecer por vontade própria, você acaba se afastando para manter a própria saúde mental. É difícil julgar. Muitas famílias, muitas bandas vivem esse dilema, se devem continuar ao lado da pessoa ou se afastar.

 

O que mudou na Cocked, Locked, Ready to Rock Tour, a turnê que vocês apresentam, após essa quase ruptura?

Todo mundo está tocando o seu melhor, dando o máximo. Nós ensaiamos por três semanas e a sensação é que está todo mundo saudável e ansioso.

 

Para você, o que há de especial em tocar na mesma banda há 40 anos?

Bom, quando eu comecei no rock‘n’roll, minha ambição era tocar ao vivo, tocar numa banda que mantivesse a integridade de tocar ao vivo. Nós já temos 40 anos de estrada e tocar no Aerosmith foi ficando melhor e melhor. Tenho a sorte e sou orgulhoso de tocar nessa banda. Quando vamos subir no palco, o espírito é sempre esse: vamos chutar uns traseiros! Por favor, diga às pessoas por aí que nós estamos mandando um alô para todo mundo, ok?

 

Como é sua família?

Pacata. Tenho dois filhos, sou casado há mais de 30 anos. Meu filho toca guitarra, bateria e baixo. Gosto do estilo dele, é muito intenso. Tem uma certa inclinação para o death metal... Acredito que as novas gerações têm um boa aliada em games como o Guitar Hero. Muitas pessoas vêm me dizer que os filhos tomaram contato com a música por meio do game. Não é grande coisa para a técnica, mas dá noções de ritmo.

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