Steve Ross, o rei do cabaré, volta a SP

Se a palavra do momento é revival, então o projeto Johnnie Walker Gold Night acertou em cheio, trazendo novamente Steve Ross como atração, a partir de hoje à noite, no Baretto. De volta ao Brasil, o músico vem com dois shows na bagagem, que serão apresentados nesta e na próxima semana. De hoje a quarta, interpreta canções da Broadway, de clássicos como My Fair Lady (1956) e West Side Story (1957), até de musicais mais recentes, como Cabaret e Cats.Na próxima semana, o "cantor de cabaré" - rótulo que ganhou nos anos 70 em Nova York, com a recuperação do estilo no circuito artístico da Big Apple - incorpora em seu repertório clássicos dos anos 60 e 70. Entre os eleitos, estão Beatles, Rolling Stones, Frank Sinatra e Elvis Presley, além da bossa nova de Tom Jobim."Nunca tinha pensado em enveredar por esse caminho, até que vim ao Brasil no ano passado, e notei que, mesmo sem saber a letra, o garçom cantou uma música inteira do Elton John que tocava", conta Ross, explicando o ponto de partida da idéia de beber das duas décadas. "Aí, percebi que são melodias mais fáceis para eu fazer a ´ponte´ com o meu estilo."Drama e humor - Do outro lado da "ponte" está o cabaré, fonte de inspiração para as apresentações que tornaram o crooner notório, repletas de intimismo e recursos tanto dramáticos como humorísticos - características das casas surgidas na virada do século 19 para o 20 em Paris, Berlim e Nova York.Sua afinidade com o estilo, mais que recurso artístico, é "uma viagem rumo ao interior", explica. "Sinto-me confortável em mostrar minhas emoções em público." Apesar de fã declarado dos irmãos Gershwin e Cole Porter, o cabaré permanece na sua preferência. "Exige mais de quem se apresenta e do espectador. Enquanto o sucesso (ou não) do cabaré está na forma de contar uma história, o jazz remete ao ritmo, tem um apelo mais corporal."O gosto mais Broadway é outra caracterísitca de seu trabalho, e tema das apresentações desta semana, o que não torna seu repertório menos refinado. "Musicais como Les Misérables e A Bela e a Fera exigem vozeirão e espetáculo. Já a essência dos musicais mais clássicos está na sofisticação: são celebrações da linguagem."Mesmo dando espaço às produções mais recentes, os anos 30 e 40 são seus preferidos. "Os shows eram escritos para as estrelas. Hoje, o show é a estrela. Mas sempre, nos musicais, as pessoas esquecem seus problemas, e são levadas a um mundo de Cinderella."Quanto às produções mais contemporâneas, o músico diz: "estou ocupado demais com o que faço para conseguir prestar atenção em todo o resto." Mas, acredita, é nos filmes hollywoodianos que ainda reside o futuro da música popular americana. "São produções para as massas, alcançam milhões." Chegado como é a um clima intimista, sua satisfação não está nos números da platéia. "Ver do meu piano que, quando estou tocando uma música, há um casal de mãos dadas, é, para mim, o sinal do meu sucesso."Johnnie Walker Goldnight - Steve Ross. Hoje (para convidados), amanhã, quarta e quinta; e de 26 a 29 de agosto. Às 22h. Baretto (R. Amauri, 255, Itaim. tel.: 3079-9008). Ingressos: R$ 80.

Agencia Estado,

19 de agosto de 2002 | 10h43

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